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Os prejuízos que os combustíveis fósseis apresentam para o meio ambiente é conhecido por todos, mas um recente estudo revelou as plataformas petrolíferas do Reino Unido emitiram cerca de 3,2 milhões de toneladas de CO2 por ano entre 2015 e 2019.

Cerca de 16 milhões de toneladas de CO2. Este é o valor da queima de gás sem valor comercial emitido pelas plataformas petrolíferas do Reino Unido entre 2015 e 2019, revela um relatório da Greenpeace, que faz questão de salientar que esse gás sem valor comercial (provocadas pela queima de gás em excesso), caso fosse reaproveitado, seria suficiente para aquecer um milhão de casas.

A ONG ambiental salienta ainda que, por cada barril de petróleo produzido, o Reino Unido emite 21 quilos de dióxido de carbono (CO2), um valor que acabou por surpreender a sociedade civil britânica, que exige uma tomada de posição por parte do Governo de Boris Johnson. 

O relatório agora divulgado pela Greenpeace ressalta que as plataformas petrolíferas presentes no Mar do Norte emitiram um total de 16 milhões de toneladas de CO2 entre 2015 e 2019, «o equivalente às emissões de uma central termoeléctrica a carvão média».

Refira-se que a queima de gás sem valor comercial nas plataformas de petróleo é um dos grandes debates na indústria petrolífera, ainda mais quando esta solução foi simplesmente banida na Noruega há cerca de meio século (recorde-se que o país nórdico é um dos maiores produtores mundiais de petróleo) e é um das solicitações do Banco Mundial, que solicitou o fim desta prática até 2030. 

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Enquanto a sociedade civil britânica exige que o Reino Unido siga o exemplo do país escandinavo (e não podemos esquecer que, em Novembro, a Escócia receberá a Cimeira do Clima das Nações Unidas, Escócia que é banhada precisamente pelo Mar do Norte), alguma das empresas que operam no local garantem que a redução da queima de gás é hoje uma realidade no seu dia-a-dia. Por exemplo, a Shell refere que reduziu a queima em 19% nos últimos cinco anos e a BP em 45% apenas no ano passado se comparado com os números de 2019. 

Mas alguns especialistas já vieram a público ressaltar que foi natural terem ocorrido essas quedas, já que a procura de petróleo sofreu um duro golpe com a pandemia, concretamente com uma redução de produção de quase 9 milhões de barris por dia (de 99,7 milhões para 91 milhões) na região.

Teoria da conspiração ou não, a verdade é que os números agora revelados pelo relatório da Greenpeace são realmente significativos e alarmantes. Nunca é demais repetirmos: foram emitidos 16 milhões de toneladas de CO2 entre 2015 e 2019 devido a uma solução que deve ser utilizada por razões de emergência e não por questões económicas.

Uma investigação do jornal The Guardian revelou que a indústria petrolífera sabe, desde os anos 60, que a queima de combustíveis fósseis tem impactos na saúde humana.

Durante cerca de meio século, as empresas da indústria petrolífera defenderam publicamente que a sua actividade não era prejudicial para a saúde pública. Inclusive, sempre estiveram na linha da frente contra eventuais medidas que reduzissem a poluição atmosférica.

No entanto, e segundo uma reportagem agora divulgada pelo The Guardian, que teve acesso a documentos internos, essas mesmas empresas tinham conhecimento, desde os anos 60, de que a queima de combustíveis fósseis tinha impactos na saúde humana. 

O jornal britânico revela, por exemplo, que um dos documentos no qual teve acesso descreve que a indústria sabia que os efeitos das partículas poluentes poderiam causar problemas na saúde dos futuros filhos dos funcionários, mas também que a indústria do petróleo era uma das principais responsáveis pela poluição e que os carros eram «a maior fonte de poluição atmosférica», com a libertação de dióxido de nitrogénio dos automóveis poderia causar dano nos pulmões.

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Recorde-se que, no ano passado, um relatório da autoria do Greenpeace Southeast Asia e do Centre for Research on Energy and Clean Air defendeu que a poluição do ar provocada pela queima de combustíveis fósseis era responsável por mais de quatro milhões de mortes prematuras no mundo, um número três vezes superior ao de mortes causadas por acidentes de viação, por exemplo.

Estes números foram sempre contrariados pelos principais players da indústria ao longo das décadas, que frequentemente procuraram descredibilizar a ciência, além de atrasarem medidas tendo em vista a redução das emissões poluentes. Agora, o The Guardian demonstra que a própria indústria tinha consciência do que se estava a passar.

A indústria dos combustíveis fósseis semeou a incerteza [científica] para manter o seu negócio intacto, e provavelmente colaboraram com outros grupos, como a indústria do tabaco», afirmou a diretora-executiva do Center for International Environmental Law ao The Guardian, Carroll Muffett.

É um dos mantras em Angola: «O país deve diversificar a sua Economia, não pode ficar dependente do petróleo». Pois bem, um alerta foi dado agora, já que, e segundo a consultora Fitch Solutions, a produção de petróleo em Angola pode cair cerca de 20% até o final da década se não forem feitos novos investimentos no sector petrolífero.

Segundo a Fitch Solutions, Angola poderá produzir no final da década cerca de 1 milhão de barris diários (hoje ronda os 1,277 milhões de barris por dia) caso o país não invista no sector petrolífero, ou seja, uma queda de 20% na produção de petróleo. Sendo Angola muito dependente do ouro negro, esta queda pode ser determinante na economia do segundo produtor de petróleo em África, apenas atrás da Nigéria.

«Antevemos que a produção de petróleo em Angola decline a longo prazo, com a produção de petróleo, gás natural liquefeito e outros líquidos a contrair-se, em média, 2,2% ao ano até ao final da nossa previsão a dez anos, chegando a 1,03 milhões de barris diários em 2030», refere o relatório da Fitch Solutions.

Evidentemente que este dado pode ser (e é) assustador, mas também podemos olhar o copo meio cheio em vez de apenas olhar o copo meio vazio, ou seja, podemos encarar essa possível queda como uma obrigatoriedade das autoridades angolanas em investir de vez na economia global além do petróleo.

Como referiu o Fundo Monetário Mundial em Novembro último, o caminho do país deve ser a diversificação da economia para diminuir a dependência de Angola das exportações de petróleo bruto ao longo do tempo.

Na ocasião, a entidade, através de um artigo assinado em conjunto por Mario de Zamaróczy e Marcos Souto, já tinha revelado que a diversificação da economia «é uma necessidade absoluta» para o país, «porque as reservas de petróleo são limitadas e as perspectivas de longo prazo para a procura internacional de petróleo desfavoráveis devido à viabilidade das fontes renováveis de energia. Não há solução mágica aqui».

Mas há mais:

O sector produtivo de Angola precisa de mais estradas e melhores ligações de transporte, mais electricidade e água em todos os lugares para que a economia possa recuperar e crescer de forma sustentável e inclusiva, trazendo oportunidades e melhores condições de vida a todos os angolanos. Isso levará algum tempo (…) e ainda há muito trabalho a ser feito.»

Portanto, é urgente olhar com perspectiva para o futuro. O Governo de João Lourenço já mostrou o seu desejo de olhar precisamente para além do petróleo, principalmente para o sector agro-pecuário. No entanto, diversificar a economia tem de ser algo mais abrangente, pois há diversos outros sectores que carecem de atenção e investimentos por parte do investimento público, mas também privado.

De acordo com os analistas da Fitch Solutions, as reformas no sector petrolífero abrandaram nos últimos tempos, principalmente em 2020 devido à pandemia.

«Desde 2018, as reformas no gás e petróleo abrandaram e as companhias precisam agora de sinais concretos de mudança para desbloquearam investimentos substanciais para o sector de ‘upstream’ [busca e exploração de poços de petróleo] de Angola», podemos ler no relatório.

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No entanto, o mesmo refere que, no presente ano e em 2022, a produção poderá sofrer um aumento de 2% e 4,2%, respectivamente, um crescimento ainda mais perigoso se não for olhado a longo prazo, como defende a Fitch Solutions, que salienta que um dos grandes problemas de Angola é que o seu maior potencial de exploração está nas águas profundas e ultraprofundas, «o que requer a disponibilização de investimentos de alto custo e com elevado risco», por isso a necessidade de diversificar a economia.

Ou seja…

O ambiente de preços mais baixos e mais incertos significa que os projectos que aguardam a Decisão Final de Investimento estão em risco de sofrer atrasos ou serem completamente abandonados se os preços não subirem.»

A Fitch Solutions recorda que, já no ano passado, as grandes companhias fugiram aos projectos de alto risco, dando primazia aos projectos de baixo carbono.

Portanto, este novo dado da Fitch Solutions demonstra mais uma vez a necessidade de reinvenção para o país. O petróleo poderá continuar a ser o motor da economia de Angola, mas é necessário encontrar outras peças que fomentem a produtividade, encontrar novos propulsores, diversificar. É hora de criar capital para mobilizar um investimento produtivo para diversificar a economia. É preciso investimento para não termos uma queda tão abrupta na produção de petróleo na próxima década, mas parece-nos fundamental termos um investimento alargado também nos restantes sectores competitivos da sociedade angolana.

As principais petrolíferas europeias apresentaram finalmente as suas contas de 2020. E, como o esperado, o resultado foi no mínimo assustador, com perdas multimilionárias de um sector que se orgulhava há pouco tempo de apresentar lucros… multimilionários. O futuro? Energia verde!

Evidentemente que ninguém esperava lucros, mas também os analistas não esperavam uma perda tão grande por parte das principais petrolíferas europeias. Só as britânicas BP (16,8 mil milhões de euros) e Shell (18 mil milhões de euros) e a francesa Total (5,9 mil milhões de euros) somaram um prejuízo de 40,7 mil milhões no ano passado. Em 2019, tiveram um lucro de 25,8 mil milhões… 

A italiana Eni, a última a apresentar os seus resultados, na passada sexta-feira, teve prejuízos de 8,5 mil milhões (lucro de 148 milhões em 2019), enquanto a espanhola Repsol teve perdas de 3,2 mil milhões de euros. Já a norueguesa Equinor registou um negativo de 4,5 mil milhões de euros em 2020. 

Ou seja, e resumindo, as principais petrolíferas europeias tiveram prejuízos na ordem de 57 mil milhões de euros, muito fruto da pandemia, que reduziu ainda mais a procura, algo que, aliás, já se verificava antes da Covid-19 (como curiosidade, refira-se que a portuguesa Galp teve um prejuízo de 42 milhões de euros no ano passado, o que compara com um lucro de 560 milhões de euros em 2019).

A nova era das petrolíferas europeias e mundiais

Segundo muitos analistas, 2020 marcará um antes e um depois na indústria e os prejuízos das petrolíferas europeias são apenas mais um dado nessa nova era. Não temos dúvidas de que já não há espaço para as estratégias do passado e que viveremos um período de transformação ainda mais verde no pós-Covid.

As energias renováveis são hoje uma realidade para a própria indústria e a redução das emissões de CO2 uma obrigação política, mas principalmente social. Finalmente o mundo tomou consciência da urgência que vivemos e não há mais espaço para adiar medidas. E as petrolíferas têm consciência dessa mudança comportamental, nem que seja pela abrupta queda dos preços do barril de petróleo (não podemos esquecer que o barril chegou a ser negociado a valores negativos, em Abril…).

As circunstâncias exigem portanto novas estratégias por parte das empresas petrolíferas, que começam a reavaliar os seus activos, principalmente por não ser sustentável a sobrevivência do sector com estas perdas multimilionárias. Embora os valores do barril de petróleo estejam a subir há duas, três semanas, ninguém acredita que a indústria regressará aos seus tempos áureos. Por exemplo, as acções da Repsol caíram 39,9% em 2020, uma tendência que também aconteceu na Eni (38,8%), BP (47,02%), Shell (44,97%) e Total (29,1%).

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Deste modo, as empresas petrolíferas já estão a se movimentar (não há tempo a esperar…). Por exemplo, a Galp investiu no ano passado na aquisição de capacidade de energia renovável da empresa espanhola Acciona. Este é apenas um caminho que está a ser seguido por algumas empresas a nível mundial. Outras, preferem ser produtoras e distribuidoras em simultâneo.

Com as economias ainda sob o efeito do confinamento e das medidas de restrição, e com o incentivo dado pelo mercado nas últimas semanas, é hora de olhar de vez para 2021 e para o futuro, já com dados concretos do que aconteceu em 2020, um dos piores anos de sempre da história da indústria. Senão o pior…

Artigo de opinião da edição de 8 de janeiro de 2021 para o semanário Novo Jornal, de Angola.

«O ano agora começou mas ainda é tempo de fazermos previsões para moldarmos as nossas expectativas, sempre altas em qualquer início de ano. A chama da esperança acendeu-se com a vacina da Covid-19 em 2020 e este regozijo mundial terá consequências socioeconómicas em todo o mundo nas mais diversas áreas em 2021, inclusive no Mercado do Petróleo e Gás.

Apesar de estar mais do que habituada aos humores do mercado e aos sempre inconstantes altos e baixos dos seus ciclos económicos, a indústria do petróleo e gás provavelmente entra em 2021 com um enorme ponto de interrogação no seu horizonte. A retracção causada pela Covid-19 foi diferente de tudo e colocou em risco a sobrevivência de milhares de empresas, em Angola e no mundo.

Para piorar o cenário da indústria petrolífera, a revolução ambiental que a humanidade vive, com as Energias Renováveis a estarem de uma vez por todas na agenda económica mundial, acarreta inevitavelmente um declínio da procura do petróleo e do gás a longo prazo, como aliás já estava a acontecer no período pré-pandemia.

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Todavia, acreditamos que, pelo menos no primeiro semestre, a onda de entusiasmo mundial com a distribuição das vacinas signifique o aumento do preço do barril de petróleo nos principais mercados, uma opinião partilhada aliás por vários especialistas e entidades, como os bancos de investimento Goldman Sachs e Citi, por exemplo.

Segundo diversas previsões, o ano de 2020 terminou com uma redução da procura de cerca de 8%, um saldo bastante positivo tendo em conta as consequências da pandemia mundial (não podemos ignorar que a procura global pelo petróleo caiu 25% em Abril…). Com a distribuição da vacina, muito provavelmente teremos um crescimento em 2021 dessa mesma procura em comparação a este ano, embora dificilmente a demanda seja superior aos níveis pré-Covid-19, confirmando deste modo as constantes quedas verificadas nas últimas décadas.

Capa do Novo Jornal do dia 8 de janeiro de 2021

Espera-se que o preço do barril de petróleo Brent alcance uma média de 46,59 dólares por barril em 2021. Mais do que a média de 2020 (40,61 dólares), mas 28% inferior ao preço médio de 2019 (64,34 dólares).

Não é por acaso que, nos Estados Unidos, ocorreram cerca de 14% de demissões de trabalhadores fixos na indústria do petróleo e gás em 2020. E, segundo vários estudos, 70% dos trabalhadores dispensados durante a pandemia podem não regressar ao mercado até o fim de 2021. As demissões em massa comprovam que o sector está a viver um período crítico da sua história e demonstram que a reputação que a indústria petrolífera mantinha, de emprego para a vida, está com os dias contados.

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A já denominada grande compressão da indústria do petróleo e gás, ou seja, a constante desaceleração verificada principalmente nos últimos 10 anos, é definitivamente diferente de qualquer outra, o que coloca em causa toda a cadeia de valor do sector nas décadas seguintes, não só em 2021. Este será definitivamente um ano de resistência para muitos, um ano fulcral para determinar a direcção da indústria.

Na realidade, não há neste momento um futuro para o sector, mas apenas o agora. Os sinais estão à vista de todos, já que a indústria já enfrentava ventos contrários antes mesmo do início da pandemia. O que fez a Covid-19 foi acelerar a transformação digital que o Mercado do Petróleo e Gás necessitava, como aconteceu aliás em todas as áreas económicas. O que poderia ter levado anos para acontecer acabou por acontecer em alguns meses.

O sector do petróleo e gás, em 2021, tem de se direccionar para o futuro das Energias Renováveis e a tecnologia, um caminho complexo e que exigirá escolhas ousadas por parte das empresas (muitas não conseguirão…). Este ano é um dos momentos cruciais para a indústria devido a tomada de decisões que terão de ser tomadas em relação à estratégia do negócio por parte dos players do mercado. O compromisso com uma energia mais limpa, as alterações nos padrões da procura e da composição da oferta, o investimento ambiental (socialmente responsável e focado), a captação de novos quadros enquadrados com as exigências do mundo actual e a consolidação de projectos de baixo custo mas rentáveis são apenas algumas das saídas que vemos como caminhos a tomar em 2021.

As escolhas que as empresas do mercado do petróleo e gás tomarem este ano, assim como as apostas que pretendem priorizar a nível interno, decidirão o caminho a seguir e a sua própria existência. Não só em 2021, mas na próxima década!»

No Novo Jornal e referente ao 45.º Aniversário da Independência de Angola, escrevi sobre a História do Petróleo em Angola. Mas não deixei também de olhar para o presente e para o futuro, num artigo publicado em duas edições, nos dias 13 e 20 de Novembro, devido ao seu tamanho.

«AngoIa comemorou, no passado dia 11 de Novembro, 45 anos de independência, quatro décadas e meia de uma história preenchida de altos e baixos, cuja energia central foi o “ouro negro” da humanidade: o petróleo! A exploração petrolífera em Angola data de finais dos anos 50 e início dos anos 60. Embora fosse uma das fontes de rendimento do País, os seus valores não superavam as receitas do sector agrícola, na altura o principal motor económico da então província ultramarina de Angola. Com a independência em 1975, ocorreu uma mudança de 180 graus e o petróleo tornou-se no principal componente de financiamento do orçamento geral do Estado, criando ainda, em 1975, a empresa estatal Sonangol, hoje uma referência no mercado petrolífero.

Ao olharmos agora para o passado, conseguimos compreender algumas das razões para esta virada de rumo, sendo a principal a Guerra Civil, uma guerra que delapidou por completo a economia angolana e fez que o Estado assentasse os seus pilares num único recurso, precisamente o petróleo, aliada ao que podemos considerar de uma clara falta de visão estratégica do poder instituído, que, ao existir, teria, por exemplo, criado condições para a aposta numa economia de guerra, ou seja, a criação de infra-estruturas produtivas de apoio e suporte à logística de guerra.

Instalada principalmente no enclave de Cabinda, a indústria angolana de petróleo alcançou um incremento significativo a partir da década de 1980, tornando-se, em pouco tempo, no segundo maior produtor de petróleo da África ao Sul do Saara, apenas atrás da Nigéria. De uma produção de apenas 745 mil barris/dia em 1999, Angola passou a produzir 1,86 milhões de barris/dia em 2008, por exemplo, números que fizeram que o País entrasse no selecto grupo dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a partir de Janeiro de 2007 (sendo um dos principais intervenientes da organização). Ao mesmo tempo, apresentou períodos de crescimento consecutivos de dois dígitos no Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento sempre sustentado pelo negócio petrolífero, que representava metade do valor gerado do PIB.

A primeira parte do artigo sobre o Petróleo em Angola no Novo Jornal, publicado a 13 de Novembro
A primeira parte do artigo sobre o Petróleo em Angola no Novo Jornal, publicado a 13 de Novembro

Este eldorado acabou por esconder alguns dos problemas da sociedade angolana e da sua economia. Hoje é fácil afirmarmos que esta dependência exclusiva das receitas petrolíferas acabou por ser um erro, já que a diversificação da economia deveria ter sido o caminho seguido pelos nossos governantes ao longo destes 45 anos, principalmente durante os períodos de alta do preço do petróleo, quando havia receitas disponíveis para um maior investimento na Educação e na qualificação das pessoas, sem esquecer a Saúde. Infelizmente, foram caminhos completamente ignorados pelos nossos políticos, o que nos leva ao momento em que estamos a viver.

O presente depois de 45 anos

Apesar dos assinaláveis resultados que tornaram Angola uma referência pela positiva no “World Oil” na década de 80, não podemos ignorar que o País cometeu alguns erros críticos no sector petrolífero (talvez o principal a aposta no deep offshore, no pré-sal), a par do não-investimento ao longo dos anos nas áreas de downstream, em particular a refinação. Parece-nos que, no âmbito da restruturação do sector, o Estado despertou e tenta corrigir a situação apostando na transformação que agrega valor ao nosso petróleo, com destaque para a refinação local, infelizmente num contexto económico difícil, em que os grandes investidores estão em modo de retracção e contenção.

Por isso, devemos aplaudir a construção da futura Refinaria de Cabinda, que será edificada na planície de Malembo. Como referiu o presidente do conselho de administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, «a decisão final de investimento representa um dos principais objectivos estratégicos do Governo angolano. A construção desta refinaria proporcionará um aumento da capacidade de processamento de petróleo bruto a nível nacional e uma redução considerável da dependência do País na importação de produtos refinados, conforme previsto no Plano de Desenvolvimento Nacional».

Portanto, este projecto, com um custo total que deverá rondar os de 920 milhões de dólares, será uma peça-chave para a indústria nacional nos próximos tempos, já que a refinação do petróleo em Angola é um dos aspectos críticos do sector. Dividida em três fases, a Refinaria de Cabinda, com a sua conclusão em 2024, deverá ter uma capacidade de refinação para 60 mil barris/dia e permitirá «fornecer ao mercado nacional e regional gasolina, gasóleo/diesel, combustível para aviões (…), contribuindo decisivamente para o abastecimento do mercado doméstico e para a dinamização das exportações angolanas», impondo-se, assim, como mais uma fonte de receitas para o Estado. Recorde-se de que Angola importa a totalidade dos combustíveis que consome e a construção da Refinaria de Cabinda reduzirá finalmente a dependência da importação de combustíveis do estrangeiro, mas também aumentará a geração de empregos directos e indirectos (cerca de 1.500, segundo alguns estudos) na região (e no País).

Este é apenas um dos exemplos a seguir nos nossos dias. Nos últimos cinco anos, a produção mundial de petróleo caiu 24%, um número assustador para um país que tem precisamente como pilar central da sua economia o “ouro negro” e os seus derivados. Assim, é uma obrigação expandir, ao máximo, a nossa economia, perceber que, se no passado houve uma dependência colossal das receitas petrolíferas, agora é o momento de se apostar noutros sectores como o ouro, fosfatos, diamantes e ferro, por exemplo, e na indústria de manufactura e na agricultura (como salientou recentemente o Presidente do País, João Lourenço, no discurso sobre o Estado da Nação). Ao olharmos para o presente, podemos chegar a uma ciara conclusão: a dependência do petróleo, que tanto deu ao nosso País, também foi fatal para Angola ao longo destes tempos.

O futuro depois de 45 anos

«Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem», defendeu João Lourenço na sua campanha de 2017. Este é precisamente o momento de não ficarmos dependentes em relação aos ânimos dos mercados petrolíferos, um mercado em plena ebulição, devido às profundas alterações provocadas pela denominada Economia Verde. Os combustíveis fósseis têm os dias contados e, por isso, a necessidade fulcral de vermos o amanhã com um novo olhar. Como já escrevi, o ponto de viragem da indústria petrolífera pode ter finalmente chegado, e as grandes petrolíferas devem tomar nota das inevitáveis mudanças e agir em conformidade, já que estamos a viver uma marcha inevitável em direcção a um futuro de fontes de energias mais sustentáveis.

As recentes quedas do preço do petróleo nos mercados internacionais não podem ser analisadas como consequência da Covid-19, já que essa tendência de queda é muito anterior ao aparecimento da pandemia. Sem subterfúgios, o retorno aos velhos tempos parece muito pouco provável. É verdade que ainda existe uma grande distância entre o mundo de hoje e um mundo em que o sistema energético seja compatível com os objectivos globais de protecção do clima e acesso à energia limpa.

E também não podemos ignorar o facto de que esta transição menos dependente do petróleo envolve grandes riscos e que os combustíveis fósseis ainda respondem por cerca de 85% da energia mundial. No entanto, a indústria petrolífera já enfrenta sérios desafios financeiros com o declínio da procura por combustíveis fósseis e com os investidores do sector a pressionarem para que os planos de investimento das grandes empresas petrolíferas estejam alinhados à expectativa de uma transição global rumo às energias limpas.

Portanto, será um erro não termos esta consciência hoje quando olhamos para o amanhã. As energias limpas serão o futuro de todos e é necessário que Angola também faça parte desta nova caminhada da humanidade. Como aconteceu no passado, quando o nosso País foi um dos principais players mundiais, é agora o momento de assumirmos outra vez um papel relevante no Mundo da Energia, transformando o “ouro negro” que tanto nos deu em “ouro verde”, que tanto nos poderá dar.

Angola comemorou na última quarta-feira os seus 45 anos de Independência. No Novo Jornal, escrevo sobre estas quatro décadas e meia, tendo o petróleo como tema central do artigo.

«A exploração petrolífera em Angola data de finais dos anos 50 e início dos anos 60. Embora fosse uma das fontes de rendimento do país, os seus valores não superavam as receitas do sector agrícola, na altura o principal motor económico da nação. Com a independência em 1975 ocorreu uma mudança de 180 graus e o petróleo tornou-se o principal componente de financiamento do orçamento geral do Estado,
que sempre entendeu a importância do petróleo para o país, criando ainda em 1975 a empresa estatal Sonangol, hoje uma referência no mercado petrolífero.»

Este é o começo do artigo escrito para o Novo Jornal.

Com o preço do barril do petróleo estagnado por volta dos USD 40 e nenhuma recuperação do mesmo à vista, muitas empresas estão a virar para as fusões e aquisições para cortar custos e enfrentar a pandemia. Na verdade, a maioria das grandes companhias de hoje fizeram o seu percurso com este tipo de transacções corporativas. E, como esperado, os gestores das petrolíferas têm se adaptado a esta nova realidade mais uma vez.

Para sobreviver até agora, muitas empresas cortaram em investimentos como a perfuração de poços em mais de 30%, demitiram trabalhadores e diminuíram os seus activos. Contudo, e sem outra saída, alguns estão a integrar operações, organizações e estratégias com outras empresas numa tentativa de sobreviver.

Como exemplo temos a multinacional americana ConocoPhillips, que anunciou que irá adquirir a Concho Resources, empresa de exploração de hidrocarbonetos, por USD 9,7 bilhões, uma das maiores negociações do sector desde a queda do preço do petróleo em Março.

Será que as fusões são suficientes para o mercado do petróleo?

Contudo, muitos investidores não têm certeza se esse tipo de negócio será suficiente para proteger o sector de um declínio acentuado. As preocupações com o ritmo da procura continuam e a Agência Internacional de Energia renovou o alerta sobre os desequilíbrios entre a oferta e a procura.

O grande problema é que a prosperidade das empresas de petróleo está fundamentalmente ligada aos preços do petróleo e do gás natural, que continuam baixos. Poucos especialistas esperam uma recuperação total da procura por petróleo antes de 2022 e alguns analistas chegaram ao ponto de declarar que a procura por petróleo pode ter atingido o pico em 2019, podendo cair nos próximos anos à medida que a popularidade na diminuição do impacto ambiental crescer.

As empresas petrolíferas estão a enfrentar um futuro muito incerto, um facto que agrava todo o sector à medida que as preocupações com as mudanças climáticas aumentam e os governos impõem regulamentações mais rígidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa causadas pela queima de combustíveis fósseis.

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Para as empresas norte-americanas, este facto é mais notório após a eleição do novo presidente Joseph R. Biden Jr., que levará, com certeza, a economia americana em direcção a uma redução sustentável de emissões. As empresas petrolíferas europeias já começaram a afastar-se do petróleo e gás, aumentando os seus investimentos em energia renovável, como a eólica e solar, para atrair novos investidores.

A indústria petrolífera não tem escolha a não ser reduzir custos para garantir um futuro. As fusões e aquisições têm sido a clara escolha para esta redução. Estas negociações continuarão a acelerar à medida que os preços do petróleo se estabilizam. De acordo com Greig Aitken, principal analista de fusões e aquisições da consultora Wood Mackenzie, «a extrema volatilidade do preço do petróleo no primeiro trimestre causou muita incerteza (…) A actividade aumentou conforme a confiança voltou e as empresas começaram a olhar para o crescimento futuro em vez de se concentrarem inteiramente na sobrevivência».

A oportunidade de adquirir novos activos, contratos e acessos a mercados apresenta uma opção atraente para as empresas que procuram equilibrar o risco financeiro e físico advindo da perfuração de petróleo e gás. Para alguns, unir forças pode ser a única forma de permanecerem competitivos durante todo este período desafiador.

A pandemia da Covid-19 atingiu a economia global no início deste ano e a era do petróleo poderá ter chegado ao seu fim, já que a procura caiu em mais de um quinto do valor total e os preços sofreram uma descida drástica. Desde então, houve uma recuperação instável e a indústria de combustíveis fósseis não tem estado bem, mas a verdade é que o retorno aos velhos tempos parece pouco provável.

Mesmo antes da pandemia da Covid-19 chegar, o crescimento da procura global do petróleo já tinha desacelerado. Com a Covid-19, houve ainda mais um agravamento, com o confinamento e o distanciamento social a destruir a indústria. A Agência Internacional de Energia divulgou recentemente projecções de rápido declínio a curto prazo da procura global das energias fósseis na ordem de 9% para o petróleo, 8% para o carvão e 5% para o gás. Números alarmantes para uma indústria que já dominou as nossas vidas, abastecendo os nossos carros, fornecendo electricidade para as nossas casas e até a ser encontrado no fertilizante para o solo em que os nossos alimentos crescem. O petróleo já tornou as nações extremamente ricas, mas agora a queda da procura está a colocar as economias de rastos. É verdade que já houve quedas no petróleo no passado, mas estamos a viver algo diferente.

Num passado muito próximo, o futuro da indústria petrolífera tinha se concentrado no pico de produção, com especialistas a preverem que os preços atingiriam níveis astronómicos à medida que o petróleo recuperável acabasse. Mas, nos últimos meses, o conceito mudou. Um novo conceito de um pico na procura tem dominado as previsões, suportado por factores como o declínio na procura por combustíveis em cerca de 25% para o sector de transporte e uma transição para fontes de energia mais limpas.

A energia renovável barata, políticas climáticas e o coronavírus estão a arrastar as empresas de combustíveis fósseis para um processo de “declínio terminal” que pode desencadear uma nova crise financeira, a menos que os reguladores actuem», refere a Reuters.

Qual o futuro da indústria do ouro negro?

Ainda existe uma grande distância entre o mundo de hoje e um mundo em que o sistema energético seja compatível com os objectivos globais de proteçcão do clima e acesso à energia e ar limpo. E não podemos ignorar o facto de que esta transição menos dependente no petróleo envolve grandes riscos. Uma transição súbita pode aumentar a instabilidade política e económica nos países cujas economias dependem fortemente das receitas do petróleo. Por outro lado, uma transição lenta pode ser ainda mais grave, com impactos graves para a saúde e o meio ambiente.

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Levará tempo para os combustíveis fósseis, que hoje ainda respondem por cerca de 85% da energia mundial, enfrentar a concorrência real de fontes de energia rivais. Mas a indústria petrolífera, com certeza, irá enfrentar sérios desafios financeiros. Com o declínio da procura por combustíveis fósseis, os investidores no sector mostram-se mais preocupados e pressionam para que os planos de investimento das grandes empresas petrolíferas estejam alinhados à expectativa de uma transição global rumo às energias limpas.

O ponto de viragem para a procura de petróleo pode ter chegado e as grandes petrolíferas devem tomar nota e agir de acordo, pois estamos a viver uma marcha inevitável em direcção a um futuro de fontes de energia mais sustentáveis.

A transição energética para um mundo de carbono zero, para a Energia Limpa, é um desafio mundial, ainda mais para as principais petrolíferas do mundo. No combate entre as europeias e as norte-americanas, a vantagem por pontos, pelo menos no momento, é da Europa.

A transição para a Energia Limpa envolve todas as indústrias, das mais simples às mais complexas. Por exemplo, e recentemente, a Google revelou que vai investir 2 mil milhões de euros em projectos de energia limpa na Europa.

«Eliminámos todo o legado de carbono da Google (cobrindo todas as nossas emissões operacionais antes de nos tornarmos neutros em carbono em 2007) através da compra de compensações de carbono de alta qualidade. Isto significa que a pegada de carbono líquida da vida da Google é, agora, zero. Estamos muito satisfeitos em ser a primeira grande empresa a tê-lo hoje concluído», afirmou o CEO da Google, Sundar Pichai, que adiantou ainda que a empresa, em cinco anos, ambiciona a criação de «20 mil novos empregos em energia limpa e indústrias associadas, na América e em todo o mundo».

Ou seja, apenas uma pequena (mas significativa) demonstração das mudanças que estão a acontecer agora nas mais diversas áreas, nos nossos dias e não no amanhã.

Evidentemente que essas mudanças acontecerão também nas principais companhias petrolíferas mundiais, diríamos até que são obrigatórias. Segundo podemos ler num recente relatório da Carbon Tracker, e ao que tudo indica, essa transição para a Energia Limpa está a ser mais pacífica na Europa do que nos Estados Unidos.

[petrolíferas europeias] … fizeram uma série de anúncios recentes de planos de transição, cortando suposições sobre o contrato de futuro do petróleo e definindo metas climáticas cada vez mais ambiciosas. E isso é reflectido em carteiras de projectos mais conservadoras. As empresas americanas estão atrasadas em todas as três medidas», podemos ler.

Não ignoro que esta transformação é um enorme desafio existencial para as grandes empresas de petróleo e gás. O próprio relatório da Carbon Tracker admite que todas petrolíferas correm um sério risco de activos encalhados caso a transição energética seja bem-sucedida.

Mas essa transição é, do meu ponto de vista, um caminho sem volta. Portanto, é imprescindível reduzir ao máximo as perdas financeiras, económicas e sociais que, certamente, ocorrerão nas grandes petrolíferas, que terão de adaptar os seus modelos de negócios a um futuro de carbono zero.

Resumidamente, as estratégias divergentes das empresas de petróleo e gás estão vinculadas ao risco de activos perdidos e este estudo defende que apenas os projectos de petróleo de custo mais baixo proporcionarão retornos confiáveis. No entanto, as grandes petrolíferas do mundo continuam a aprovar investimentos em projectos que são inconsistentes com os objectivos assinados no Acordo de Paris, que visa alcançar a descarbonização das economias mundiais.

Ao que tudo indica, há três dados a reter na avaliação estratégica das empresas para a transição energética:

  • suposições sobre o contrato futuro do petróleo
  • a ambição das metas climáticas
  • extensão dos portefólios de projectos de combustíveis fósseis de cada empresa

As empresas europeias superam claramente as suas congéneres norte-americanas em todos os três dados», refere o estudo, que analisa 15 eventuais projectos mundiais que correm um alto risco de se tornarem activos perdidos à medida que a transição energética evolui e a demanda por petróleo é “contida”.

Como um dos exemplos da preocupante estratégia das companhias norte-americanas, o relatório da Carbon Tracker nomeia a ExxonMobil, escrevendo que 80% ou mais do seu portfólio de projectos business-as-usual não será competitivo se a meta continuar a ser a manutenção do aquecimento global “bem abaixo” dos 2° C, uma meta que pode mesmo aos 1,5° C (a Carbon Tracker refere inclusive que a gigante do petróleo texana tem metas climáticas mais reduzidas do que qualquer outra grande empresa de petróleo).

Mas a ExxonMobil não é a única. Como refere o próprio relatório, mesmo as empresas mais bem preparadas correm um sério risco de possuírem activos perdidos e verem o seu valor reduzido. A análise ao relatório reflecte precisamente esse dado, a preocupação crescente entre os investidores sobre os riscos que a transição energética representa para os portefólios das petrolíferas.

«Poucas partes dos modelos de negócios dos produtores de combustível fóssil permanecerão inabaláveis ​​com a transição energética. Líderes europeus como a Eni e a BP estão a responder através de uma abordagem cada vez mais integrada, mas, para a Exxon e outras, a única consistência é como evitam a descarbonização», afirma o responsável pela pesquisa do Clima, Energia e Indústria da Carbon Tracker, Andrew Grant.

Nota também para as considerações do co-autor do estudo, Mike Coffin.

«Um número crescente de produtores de petróleo e gás reconhece o impacto fundamental que a transição energética terá nos seus modelos de negócios principais e estão a definir metas climáticas mais realistas, reduzindo previsões de preços e baixando os activos. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer antes que possam ser vistos como intervenientes alinhados com o Acordo de Paris. Portanto, o risco de activos retidos ainda é algo muito real.»

Se formos analisar, o sucesso das organizações para ultrapassarem barreiras e/ou aproveitarem oportunidades ao longo dos anos sempre dependeu da eficácia na adaptação às novas realidades. Esse processo de adaptação pelas empresas petrolíferas a nova realidade verde, independentemente da localização geográfica, deverá ser fruto de estratégias bem planeadas, avaliações dos riscos e de análises aprofundadas sobre os custos e benefícios de cada projecto implementado daqui para a frente.