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Nos nossos dias, a energia eólica é uma realidade no mundo, principalmente em 10 países, que resolveram nos últimos anos apostar de vez nos benefícios do vento.

O grande player do mundo na energia eólica é a China, com mais de um terço da capacidade mundial (35 gigawatts). É no país asiático que está, por exemplo, o maior parque eólico onshore do mundo, com uma capacidade de produzir 7.965 megawatts.

Não podemos esquecer que o presidente chinês, Xi Jinping, revelou há tempos na Assembleia Geral das Nações Unidas o intuito do seu país em atingir a neutralidade das emissões de carbono até 2060. Neste momento, a China é o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. O seu plano é atingir o pico de emissões em 2030 e depois começar a necessária redução até 2060.

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Na segunda posição temos os Estados Unidos, com 96,4 gigawatts de capacidade instalada. Mesmo com Donald Trump, o país nunca deixou de olhar com cuidado para as potencialidades da energia eólica e hoje acolhe seis dos dez maiores parques eólicos onshore do mundo. Agora, com Joe Biden, provavelmente os Estados Unidos aumentarão a sua produção, uma boa notícia para o mundo.

No último lugar do pódio temos o primeiro país europeu, a Alemanha, com 59,3 gigawatts, a maior capacidade instalada de energia eólica na Europa. De salientar que, no Top 10, o continente europeu apresenta ainda mais três países, concretamente Espanha (quinto da lista, com um total de 23 gigawatts, capaz de cobrir 18% do seu fornecimento de electricidade), França (sétima, com uma capacidade instalada de 15,3 gigawatts. A energia nuclear é responsável por 75% da energia do país, ou seja, os gauleses vivem hoje um período de transição a nível energético) e Itália (ocupa o último lugar do Top 10, com 10 gigawatts).

Na quarta posição temos a Índia, com a segunda maior capacidade eólica da Ásia, concretamente com 35 gigawatts. Ou seja, com a China, o continente asiático é responsável pela maior capacidade eólica do mundo.

No Top 10 temos ainda o Reino Unido (sexto), com uma capacidade total de 20,7 gigawatts, Brasil (oitavo), com 14,5 gigawatts (a maior capacidade eólica da América do Sul) e o Canadá (nono), com 12,8 gigawatts.

Os traumas na economia mundial causados pela Covid-19 são notórios, inclusive para a indústria do Meio Ambiente e em particular para a Energia Eólica, que abrandou o seu crescimento desde que o indesejável vírus assolou o mundo.


Projectos, projectos e mais projectos. Antes de Março de 2020, a Energia Verde vivia mais um ano áureo da sua história, com crescimentos sustentáveis nas suas mais diversas áreas. E eis então que surgiu um vírus que alterou por completo o mundo e as previsões de analistas e especialistas.

Como era de esperar, a Energia Eólica também sofreu e continua a sofrer com a Covid-19. O principal problema da indústria parece ser a conclusão de vários projectos previstos para este ano, já que a pandemia interrompeu a construção e as cadeias de abastecimento globais.

O atraso a nível mundial nas entregas acabou por interromper várias construções eólicas que já estavam em andamento. Por exemplo, em Nebraska, Estados Unidos, a gaulesa EDF Renewables viu a sua obra interrompida por falta de material, uma obra que pretendia instalar 99 turbinas eólicas antes do fim do ano, num projecto avaliado em cerca de 374 milhões de dólares.

Evidentemente que este é apenas um caso em centenas, um caso que demonstra como um simples vírus pode alterar por completo um planeamento de anos. No caso particular da EDF Renewables, por exemplo, o responsável pela construção dos cilindros gigantes nos quais as turbinas eólicas assentam morreu de coronavírus e a obra ficou atrasada durante cinco semanas. Não incluindo o número de trabalhadores infectados no Nebraska que contraíram o vírus, que ficaram impossibilitados de trabalhar…

A verdade é que, em tempos de pandemia, é bastante complicado encontrar fornecedores capazes de responderem as especificidades da indústria eólica (sem contar com o transporte e a entrega, outras duas áreas muito específicas devido a dimensão dos componentes utilizados). Estes constantes e inesperados atrasos, que não foram orçamentados no plano inicial, acabam por colocar toda a indústria em causa, já que aumenta o seu custo e inviabiliza o retorno financeiro dos projectos.

O crescimento da Energia Eólica nos Estados Unidos está em causa

Apesar de ser uma indústria próspera, também a economia eólica está a ser bastante afectada com a Covid-19, como revelaram recentemente os números da American Wind Energy Association.

No total, cerca de 35 bilhões de dólares de investimento estarão em causa neste momento. E, o mais grave, cerca de 35.000 empregos. As perdas acumulam-se e não há milagre que salve a indústria se a pandemia perdurar por muitos mais meses.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as turbinas eólicas fornecem mais de 7% da electricidade do país, estando hoje apenas atrás das usinas nucleares em relação a fontes de energia livre de carbono. No Texas, o maior gerador de energia eólica dos Estados Unidos, os 7% crescem para cerca de 18%, algo realmente significativo a nível mundial.

O negócio da energia eólica estava a crescer cerca de 10% ao ano no país, uma ascensão que poderá ficar em causa agora com a pandemia, já que muitos projectos começam a balançar em demasia devido as consequências da Covid-19, algo mais do que natural tendo em vista o crítico momento pelo qual estamos a viver a nível mundial.

O crescimento da energia eólica poderá estar em causa?
O crescimento da energia eólica poderá estar em causa?

Segundo a imprensa norte-americana, a indústria esperava receber algum apoio do Congresso neste momento conturbado da economia, mas a verdade é que a ajuda não foi a esperada, numa clara demonstração da política federal dos Estados Unidos sobre o clima e a energia renovável, ou seja, bastante limitada e míope com Donald Trump (abordamos este tema neste artigo).

Não podemos ignorar que, nos Estados Unidos, na última década, os custos por megawatt-hora de geração eólica em grande escala diminuíram cerca de 70%, um dado mais do que justificável para esta indústria em particular receber um tratamento diferenciado por parte do Governo dos Estados Unidos.

Ainda que continue a apresentar oportunidades valiosas que continuam a atrair grandes investidores e investimentos, a verdade é que a Covid-19 está a travar o crescimento da energia eólica. Não só nos Estados Unidos, mas infelizmente um pouco por todo o mundo.