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A Agência Internacional de Energia (IEA) revelou que, muito provavelmente, o maior aumento da história das emissões globais de CO2 acontecerá este ano.

A entidade estima que serão emitidos 1,5 mil milhões de toneladas de CO2, um número que acarretará um recorde que a humanidade preferia não registar. A IEA refere ainda que este valor será alcançado devido à recuperação na procura do carvão no sector da energia, já que as estimativas revelam que a procura global de carvão deve crescer 4,5% este ano, próxima de 2014, quando atingiu o seu pico. O diretor da Agência Internacional de Energia revelou ainda que a procura global de energia deve aumentar 4,6% em 2021.

Mas nem tudo são más notícias, já que Fatih Birol acrescentou que o crescimento das energias renováveis, principalmente a energia solar e eólica, deverão apresentar aumentos recordes este ano, concretamente 8% em 2021, sendo responsável pela maior parte do aumento do fornecimento de energia global.

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Apesar destes dados, Fatih Birol admitiu que não são suficientes tendo em vista a luta climática que atravessamos. O dirigente ressaltou que a economia mundial ainda não está a funcionar a 100% devido à pandemia e mesmo assim deverá alcançar em 2021 o seu recorde de emissões globais de CO2.

O diretor da Agência Internacional de Energia acredita que, em 2022, os números deverão ser novamente ultrapassados, a não ser que surjam mudanças políticas imediatas que encontrem soluções para a procura de carvão e petróleo, por exemplo…

A pandemia abrandou, mas não estagnou, pelo contrário, já que os níveis de CO2 estão mais altos do que nunca. segundo a NOAA.

A concentração de dióxido de carbono atingiu em Maio de 2021 o seu nível mais alto de sempre, segundo os dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, atingindo no passado mês uma concentração média de CO2 de 419,13 partes por milhão (ppm, que indicam o número de moléculas de CO2 por milhão de moléculas de ar seco). Ou seja, a concentração global deste gás com efeito de estufa apresenta-se 50% superior ao nível anterior à idade industrial. 

Este novo dado é mais um alerta da comunidade científica, que salientou que esta nova referência, 50% acima do pré-industrial, é realmente um número negativo na nossa caminhada ambiental, sendo necessário por isso um maior trabalho no intuito da redução das emissões de dióxido de carbono, que pode ficar no ar durante mil anos ou mais.

A média do aumento das ppm do CO2, considerando um período de referência de 10 anos, alcançou um máximo de 2,4 ppm por ano, um aumento «extremamente raro» segundo a comunidade científica, que salienta ainda que, se não ocorrerem mudanças drásticas, os níveis de CO2 continuarão a subir e o mundo viverá com temperaturas inóspitas e constantes inundações costeiras muito em breve. 

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«O botão do controlo final do CO2 atmosférico são as emissões de combustíveis fósseis», revela o geoquímico Ralph Keeling, da Scripps Oceanography, no comunicado da NOAA. «Em última análise, precisamos de cortes maiores e sustentados por mais tempo do que as paralisações relacionadas com a Covid-19 de 2020.»

Segundo os dados, a poluição de CO2 caiu cerca de 6% em 2020, mas, no final do ano passado, a poluição tinha regressado em força, com as emissões globais do uso de energia em Dezembro de 2020 a serem um pouco mais altas do que um ano antes. Ou seja, o efeito pandemia não foi perceptível no registo histórico de CO2 da NOAA. 

Por último, refira-se que é em Maio que o NOAA recolhe os dados das emissões de CO2 porque é em Maio que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingem o seu máximo anual antes de a vida vegetal no Hemisfério Norte florescer, o que permite a absorção de parte desse CO2 pelas flores, folhas, sementes e caules.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), através do seu boletim anual, revelou que a concentração de CO2 vai continuar a subir em 2020, embora a um ritmo mais baixo devido à pandemia da Covid-19. Uma informação que surpreendeu tudo e todos, já que muitos acreditavam que a desaceleração industrial colocasse um travão ao aumento recorde das concentrações no presente ano.

Há semanas escrevemos sobre um estudo da Capgemini, World Energy Markets Observatory 2019, que afirmava que a pandemia seria responsável pela redução em 8% das emissões de CO2 (leia aqui). Aliás, conclusões e números que se repetiram em vários estudos, apesar de todos defenderem que essa queda não seria prolongada, já que apenas estava a acontecer devido ao delicado momento em que estamos a viver. Esta opinião é partilhada inclusive pelo secretário-geral da OMM, Petteri Taalas:

A pandemia não é uma solução ante as alterações climáticas. A queda das emissões devido ao confinamento não é mais do que um pequeno percalço a longo prazo. Temos de achatar a curva de uma forma constante e regular.»

Estas palavras foram secundadas por um recente estudo da Organização das Nações Unidas, que salientou que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou drasticamente em 2019 e atingiu os seus recordes de sempre.

Ou seja, a OMM admite que as emissões globais de carbono devem baixar este ano, como indicam vários estudos (segundo a instituição, entre 4,2% e 7,5% este ano), mas essa baixa não significa a queda de concentração de CO2 na atmosfera durante o ano. Confuso? A resposta é simples: a acumulação de emissões de CO2 na atmosfera é acumulativa, ou seja, as emissões passadas juntam-se às actuais. Portanto, embora com emissões mais brandas em 2020 em relação ao ano passado, continuaremos a ter valores realmente assustadores em relação ao dióxido de carbono no presente ano.

Não podemos ignorar que o CO2, produzido pelo uso de combustíveis fósseis, a pecuária excessiva e a desflorestação, por exemplo, mantém-se durante séculos na atmosfera e nos oceanos. Por exemplo, a OMM revelou que o aumento da presença de CO2 foi mais rápido de 2018 para 2019 do que de 2017 para 2018. 

«A pandemia do coronavírus não resolverá o problema da alteração climática. No entanto, pode servir de trampolim para uma campanha do clima mais intensa e ambiciosa que procure a neutralidade do carbono mediante a transformação da indústria, dos sistemas energéticos e dos transportes», salientou Petteri Taalas. 

A OMM ressaltou ainda que os três principais gases prejudiciais que permanecem na atmosfera, concretamente o dióxido de carbono, o metano e o óxido de nitrogénio, alcançaram níveis recordes no ano passado.

A última vez que a Terra conheceu níveis de CO2 como agora foi há cerca de 3, 5 milhões de anos. Na ocasião, a temperatura era mais alta entre 2 e 3º C e o nível do mar alcançava entre 10 e 20 metros a mais do que temos hoje. Mas, na altura, não tínhamos 7.700 milhões de humanos…»

A OMM salientou que o recorde de níveis de concentração de CO2 na atmosfera aconteceu em Maio de 2020 (416,2 partes por milhão), com Setembro a registar 411,6 ppm. Em Setembro de 2019, o número foi de 408,5 ppm.

Recorde-se que, segundo os especialistas, a linha vermelha está situada a 400 ppm, número alcançado em… 2015. O que estamos a verificar é que, ao contrário do tecto baixar, a verdade é que o tecto limite está cada vez mais alto, como demonstram os números de Abril e Setembro. Os pesquisadores referem que esta linha vermelha é fundamental para a humanidade evitar uma alteração climática incontrolável. 

«Quatro anos depois estamos já com 410 ppm. Um aumento do CO2, nestas proporções, nunca foi registado na história.»

A OMM defendeu ainda que a queda do consumo de energia e o uso do transporte foram os principais factores para a redução do CO2 em 2020, principalmente no segundo trimestre do ano (em Abril, por exemplo, tivemos uma redução de 25%). «Não há tempo a perder», concluiu Petteri Taalas, que alertou para uma mudança radical por parte de todos tendo em vista um mundo habitável no futuro.

A Covid-19 está a assolar a Economia mundial, mas está a ser positiva para o clima em geral. Segundo um recente estudo da Capgemini, World Energy Markets Observatory 2019 (WEMO), este ano a pandemia vai ser responsável pela redução em 8% das emissões de CO2.

«As estimativas apontam para que as emissões de CO2 baixem de 7% para 8% em 2020 devido a pandemia», revelou Colette Lewioner, consultora sénior para a área da Energia e Utilities da Capgemini, na apresentação da WEMO. Palavras realmente bastante positivas para o meio ambiente e apenas possível devido ao momento em que estamos a viver, o que permitiu, por exemplo, restrições relacionadas com as viagens e o forte abrandamento industrial.

Todavia, e como defendeu a própria Colette Lewioner, estes números (recorde-se: a maior redução de emissões de gases com efeito de estufa desde a Segunda Guerra Mundial) são provavelmente «temporários», pois dificilmente não regressaremos ao valores pré-Covid-19 após o mundo reencontrar o eixo da sua normalidade.

Para nos mantermos no caminho certo a nível ambiental, teriam de ser tomadas medidas de contenção semelhantes às actuais todos os anos e durante os próximos 10 anos, naturalmente algo inviável e indesejável.»

Energias renováveis ganham cada vez mais espaço na economia mundial

O estudo WEMO 2020 ressalta não só a redução do CO2 na pandemia, mas também outros dados que merecem a nossa atenção e reflexão. Por exemplo, a produção de energia a partir de fontes renováveis e as tecnologias de armazenamento das baterias estão a evoluir rapidamente.

Segundo o World Energy Markets Observatory 2019, as energias renováveis ganham cada vez mais espaço nos países desenvolvidos, representando mais de metade do investimento mundial da produção de electricidade.

No entanto, e este é o outro lado da moeda, os países emergentes não olham (ou não têm possibilidades) as energias renováveis como solução, já que continuam a apostar na construção de centrais eléctricas a carvão e a gás tendo para responder ao crescimento da procura de electricidade nos seus respectivos espaços territoriais.

Colette Lewioner salientou ainda na apresentação do WEMO que os custos das energias eólica e solar continuaram a diminuir mais de 10% em 2019, defendendo que as energias eólicas offshore parecem ser o caminho a seguir, já que as instalações onshore continuam a apresentar problemas que ainda encarecem a sua concretização (e rentabilização).

Outro abrandamento a destacar é o relacionado com os custos das baterias para veículos eléctricos e o armazenamento estacionário, com uma redução de 19% em 2019, um valor que faz com que China invista em 88 unidades fabris de grande dimensão nos próximos tempos.

Já distante do comboio das baterias e dos painéis solares, um comboio que tem os países asiáticos como os maquinistas principais, a Europa resolveu investir no desenvolvimento do hidrogénio verde, uma possível fonte de descarbonização industrial e do armazenamento da electricidade. A aposta no caminho para a descarbonização energética da União Europeia até 2050 faz com que a Comissão Europeia esteja disposta a investir entre 180 e 470 mil milhões de euros nos próximos 30 anos.

Redes de abastecimento energéticas instáveis

Uma das curiosidades que o estudo World Energy Markets Observatory 2019 apresenta é verificar que a rapidez do crescimento das energias renováveis, um movimento mais do que positivo para a humanidade em geral, está a trazer algo de certo modo inesperado pelos especialistas: a instabilidade das redes de abastecimento.

Dada a percentagem crescente das fontes de energia renovável intermitente (eólica e solar) no cabaz energético, o equilíbrio da rede eléctrica é mais difícil de assegurar e a segurança do abastecimento pode estar em risco», podemos ler.

Exemplos dessa situação foram vividos na Europa e nos Estados Unidos. Em Abril deste ano, a Alemanha e o Reino Unido estiveram próximos de sofreram apagões virtuais devido ao aumento substancial da percentagem (entre 60% a 70%) de electricidade renovável na rede, uma demonstração de que as redes, assim como a regulação, não estão aptas para lidar com uma elevada quantidade de energias renováveis na rede eléctrica.

Já nos Estados Unidos, em Agosto último, a onda de calor na Califórnia demonstrou falhas em áreas onde o fornecimento de energia dependia em parte da energia renovável (cerca de 35%), principalmente da energia solar. Com o excesso de ares condicionados ligados, houve apagões em vários bairros da região e a constatação de que há ainda um largo caminho a percorrer tendo em vista a utilização plena das energias limpas.

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«Dada à importância crescente das energias renováveis no cabaz energético e o encerramento eminente das centrais de geração programada, a estabilidade e a segurança da rede de abastecimento passaram a estar no topo das preocupações do sector», salienta o estudo.

Carbono deve ser alvo de taxas

A Capgemini revela no World Energy Markets Observatory 2019 algumas medidas que podem ser tomadas tendo em vista a obtenção dos objetivos climáticos mundiais, tais como:

  • controlar as emissões de CO2 e fixar um preço elevado para as emissões de carbono
  • impor impostos sobre o carbono, incluindo sobre os produtos importados
  • encorajar o desenvolvimento de formas de produção de energia verde
  • centrais nucleares seguras que permitam produzir electricidade “verde”
  • segurança da gestão da rede através de uma transformação digital
  • imposição de preços dinâmicos que permitam intensificar a resposta ao aumento da procura
  • alterar a “ordem de importância dos meios de produção” para permitir a redução das energias renováveis, se necessário
  • electrificação dos transportes
  • desenvolvimento do hidrogénio verde

Em resumo, todos devem trabalhar tendo em vista um real desenvolvimento sustentável e uma transição energética efectiva, já que só assim será possível usufruirmos de uma economia verde. A pandemia e a consequente redução de CO2 é apenas um sinal de que tal é possível.

Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou um corte de 60% nas emissões de CO2 da União Europeia até 2030. A nova meta aumenta assim em 5% os valores que foram estabelecidos em 1990.

Além dos 5% a mais do que o ambicionado em 1990, os eurodeputados foram ainda mais longe e pediram que os Estados-membros eliminassem «os subsídios diretos ou indiretos às indústrias fósseis» até 2025, mas também propuseram um novo objetivo de emissões para 2040, o que faz prever que estas metas sejam ainda maiores nos próximos anos, ainda mais quando foi sugerido a criação de um orçamento de gases com efeito de estufa, limitando as emissões até 2050.

Ou seja, tivemos uma clara demonstração do que a Europa pretende em termos de política ambiental no futuro próximo, uma clara demonstração do Parlamento Europeu tendo em vista o cumprimento das metas assinadas no Acordo de Paris.

Esperamos que todos os Estados-membros atinjam a neutralidade climática, o mais tardar, até 2050», defendeu a relatora da nova legislação, Jytte Guteland.

No entanto, refira-se que a votação não foi tão pacífica como muitos previam, já que, se somarmos os votos contra e as abstenções, tivemos 303 votos (161 e 142, respetivamente), enquanto os votos a favor somaram 392.

Alguns países rejeitam os cortes aprovados pelo Parlamento Europeu

A nova proposta tem agora de ser aprovada pelo Conselho Europeu, mas a tarefa não parece ser simples, já que alguns países europeus são em muito dependentes das indústrias fósseis, como é o caso da República Checa, que já revelou que não pretende acatar o corte, e a Polónia, que apresenta uma forte indústria de carvão.

Aliás, e como referido, o número de votos contra e as abstenções provam essa divisão, algo que aconteceu principalmente depois do discurso do líder do Partido Popular Europeu (centro-direita), Manfred Weber, que considera esta meta um «tiro no escuro», já que, segundo o mesmo, pode inclusive conduzir à perda de empregos devido a possível falta de competitividade das empresas europeias.

«Com a Lei do Clima, a Europa lidera a batalha contra as alterações climáticas. Mas isso não será fácil, pois – 55% CO2 é um grande desafio para as empresas europeias. Se não soubermos como liderar este processo, perderemos empregos para a China ou os Estados Unidos. A meta de – 60% é um tiro no escuro», defendeu Manfred Weber no seu Twitter.

As nossas decisões devem visar toda a sociedade, não apenas os mais ricos. Nem todos conseguem comprar um carro elétrico! Os cidadãos mais vulneráveis ​​não podem pagar o preço dos objetivos climáticos. Não teremos sucesso se a lei climática não ser inclusiva.»

Uma visão defensiva que foi contrariada por outras vozes, que defenderam precisamente o contrário após apresentarem relatórios provenientes de algumas organizações oficiais, por exemplo, da Organização Internacional do Trabalho, que destaca a criação de empregos com uma mudança rápida dos combustíveis fósseis para as indústrias mais verdes.

«O custo da inação é muito maior do que o custo da ação», defenderam os apoiantes desta nova medida.

A verdade é que o Parlamento Europeu deseja que a Europa seja o primeiro continente a nível mundial a atingir a neutralidade climática em 2050 e por isso as mudanças relativas às políticas ambientais são para ser seguidas, já que o objetivo é apresentar um «nível de emissões negativo» daqui a 30 anos.

Ao mesmo tempo, o Parlamento Europeu deixou com esta votação uma mensagem clara aos países do Velho Continente: a tendência é defender as metas ambientais mais progresistas, mesmo que, para isso, seja necessário combater a tradição das indústrias fósseis, por exemplo.

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Considerada por todos como uma lei climática «ambiciosa», já que obriga cada Estado membro a ser neutro nas emissões de CO2 até 2050, o Parlamento Europeu provou no entanto o caminho que pretende trilhar no futuro próximo. Agora tudo passará pelas inevitáveis mesas de negociações até chegar a votação final no Conselho Europeu.

Todavia, uma coisa é certa: as alterações climáticas existem e os cortes nas emissões, sejam eles pequenos ou grandes, são imprescindíveis para as combater antes que os efeitos negativos para a vida humana e. consequentemente, as economias sejam irreversíveis. As decisões tomadas terão impacto na própria estrutura da economia da União Europeia nos próximos anos.