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A ilha de Porto Santo, no Arquipélago da Madeira, foi a última reserva portuguesa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma rede que já conta com cerca de 700 reservas localizadas em cerca de 130 países, das quais algumas são reservas transfronteiriças.

No total, Portugal soma 12 Reservas da Biosfera na rede mundial da UNESCO, sendo Porto Santo a mais recente. As outras 11 são as seguintes:

  • Paul do Boquilobo (Corvo, Açores)
  • Ilha Graciosa (Açores)
  • Ilha das Flores (Açores)
  • Ilha do Corvo (Açores)
  • Reserva da Biosfera Transfronteiriça do Gerês-Xurés (Portugal/Espanha)
  • Berlengas (Peniche)
  • Santana (Madeira)
  • Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica (Portugal/Espanha)
  • Fajãs de São Jorge (Açores)
  • Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo/Tajo Internacional (Portugal/Espanha)
  • Castro Verde (Alentejo)

«As Reservas da Biosfera são definidas pela UNESCO como laboratórios vivos, onde se desenvolvem como funções principais a conservação de paisagens, ecossistemas e espécies e o desenvolvimento sustentável a nível social, económico, cultural e ecológico, actuando como plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização», referiu uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério do Ambiente e da Acção Climática quando a nomeação de Porto Santo foi aprovada pelo Conselho Internacional de Coordenação do Programa “O Homem e a Biosfera – MAB” da UNESCO.

Ou seja, a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO procura «promover o desenvolvimento sustentável através do diálogo participativo, a partilha de conhecimento, a redução da pobreza, a melhoria do bem-estar humano, o respeito pelos valores e o desenvolvimento de capacidades para lidar com a mudança no mundo». 

A UNESCO considera assim a Rede de Reservas da Biosfera como uma das principais ferramentas internacionais para desenvolver e implementar abordagens de desenvolvimento sustentável numa ampla gama de contextos, algo fundamental tendo em vista o momento que vivemos a nível mundial. 

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«A Rede Mundial de Reservas da Biosfera promove a colaboração Norte-Sul e Sul-Sul e representa uma ferramenta única para a cooperação internacional por meio da partilha do conhecimento, troca de experiências, capacitação e promoção de melhores práticas», refere a UNESCO, que procura promover com este projecto a conservação dos valores naturais com a manutenção dos bens culturais e o desenvolvimento socioeconómico sustentável da população que nelas habita. 

Em termos de distribuição mundial, esta importante rede ambiental está distribuída do seguinte modo:

  • África: 85 reservas localizadas em 31 países 
  • Estados Árabes: 33 reservas em 12 países
  • Ásia e Pacífico: 157 reservas em 24 países
  • Europa e América do Norte: 302 reservas em 38 países
  • América Latina e Caribe: 130 reservas em 21 países

Em relação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, além de Portugal, o mundo lusófono conta com as seguintes reservas:

  • Brasil: sete reservas
  • Cabo-Verde: duas reservas
  • Guiné-Bissau: uma reserva
  • Moçambique: uma reserva
  • São Tomé e Príncipe: uma reserva

Segundo a National Geographic, uma Reserva da Biosfera deve apresentar três tipologias de áreas inter-relacionadas:

  • Zona núcleo: uma ou mais zonas protegidas dedicadas à conservação da natureza, investigação e monitorização dos ecossistemas menos alterados
  • Zona tampão: corresponde à área onde se amortecem os efeitos das acções humanas sobre a área nuclear e onde se realizam actividades como educação ambiental, recreio e lazer, turismo de natureza e investigação aplicada
  • Zona de transição: área suficientemente ampla onde se desenvolvem actividades económicas e onde existem grandes núcleos populacionais

De referir ainda que esta rede mundial, formalizada em 2016, tem como objectivo promover e divulgar a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável da UNESCO e os seus respectivos 17 objectivos, o que faz deste projecto muito mais do que um “laboratório vivo” ambiental. A vertente económica e social sempre esteve implícita na sua génese, já que o objetivo foi conciliar a conservação da biodiversidade e as actividades humanas através de um uso sustentável dos recursos naturais.