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Um projecto do promotor norte-americano Sun Africa LLC, e apoiado pelos governos da Suécia e dos Estados Unidos, vai investir cerca de 525 milhões de euros em sete parques solar fotovoltaicos em Angola, o que vai fazer com que o país albergue o maior parque solar fotovoltaico da África subsariana. A primeira pedra é colocada esta quinta-feira, 11 de Março, em Biopio.

No total, o parque solar fotovoltaico conseguirá gerar 370 MW, sendo o maior o de Biopio, com 188 MW. O projecto será financiado pela Swedish Export Credit Corporation e apoiado pelos governos da Suécia e dos Estados Unidos, tendo a Sun Africa LLC, promotora de projectos de energia renovável dos EUA e subsidiária da UGT (Uban Green Tecnologies) Renewables, com sede em Chicago, como mentora e a construção a cargo da empresa luso-angolana MCA Grupo. A primeira pedra do projecto é colocada precisamente esta quinta-feira, em Biopio, que acolherá no futuro «o maior projecto solar individual da África Subsariana».

Três províncias angolanas, concretamente Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico, receberão este gigantesco parque solar fotovoltaico, que tem como meta estar concluído no terceiro trimestre de 2022:

  • Benguela receberá dois parques, com uma capacidade total de 285 MW
  • Moxico e Lunda Sul receberão parques com 27 MW cada
  • Bié será construído um com 14,65 MW
  • Huambo terá quase 8 MW 
  • Lunda Norte terá 7,2 MW.  

Recorde-se que um dos grandes objectivos do Governo de João Lourenço é que Angola tenha cerca de 60% da sua população rural com acesso à electricidade até 2025, uma meta significativa e que requer um empenho bastante grande dos seus responsáveis, já que hoje ronda os 40%.

«Cinco dos projectos vão estar ligados à rede eléctrica principal de Angola, enquanto dois projectos estarão ligados em zonas rurais», refere um comunicado da Sun Africa LLC, que não tem dúvidas em afirmar que o projecto vai trazer «benefícios significativos para o fornecimento de electricidade a Angola e marcará a nova viragem na diversificação do fornecimento de energia e da sua economia».

O mesmo comunicado recorda ainda que, «além de ser rica em hidrocarbonetos, Angola tem abundância de sol com uma das maiores irradiações do continente africano», o que permite «uma nova vertente de energias renováveis ​​sustentáveis ​​a milhares de cidadãos angolanos em vários pontos do país».

Uma opinião partilhada esta quinta-feira pelo ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, ao jornal Diário de Notícias.

Este investimento marca uma aposta na exploração de um recurso abundante e cada vez mais barato, que é o sol, recordando que Angola tem um elevado potencial de recurso solar, com uma radiação global em plano horizontal anual média compreendida entre 1370 e 2100 kWh/m2/ano.»

A CEO da Sun Africa LLC, Nikola Krneta, salientou também o compromisso da sua empresa em «fornecer energia limpa, de baixo custo, em todo o continente africano», elogiando ao mesmo tempo «a visão do governo angolano».

Refira-se que cerca de um milhão de painéis solares que serão instalados parque solar fotovoltaico serão fabricados na Coreia do Sul, enquanto a maioria dos equipamentos e soluções de transmissão serão enviados dos Estados Unidos e da Suécia, o que demonstra a globalização de um projecto deste nível, que tem como o seu ponto de execução em África.

«Com experiência em tecnologia, recursos da cadeia de abastecimentos e acesso a uma variedade de fontes de capital, a Sun Africa LLC e os seus parceiros têm um forte histórico de entrega de projectos com baixo custo e alta eficiência para atender à crescente procura por electricidade limpa, a preços altamente acessíveis».

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Para compreendermos a grandeza deste projecto, as estimativas apontam para a criação de milhares de postos de trabalho, directos e indirectos, além do Estado angolano poupar «aproximadamente cinco mil milhões de dólares ao longo dos 35 anos de vida do projecto». 

Portanto, este parque solar fotovoltaico poderá marcar a história das energias renováveis em África, tendo Angola como actor principal. Cabe agora ao nosso país retirar todos os benefícios que isso significa, tanto em termos sociais, mas também de conhecimento. Se já somos uma referência dos combustíveis fósseis no continente, é a hora de assumirmos um lugar também nas energias verdes.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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