Directora-técnica da Eco-Eficiência, Deize Bernardo acredita que Angola já evoluiu  muito na sua consciencialização ambiental, mas ainda é necessário um grande e árduo trabalho colectivo por fazer nesta temática.

Que balanço fazem da consciencialização dos problemas climáticos e ambientais por parte do povo de Angola?
Pelo acompanhamento que temos feito durante estes 11 anos, é notável que cada vez mais as pessoas interessam-se pela preservação ambiental. Hoje o tema preservação ambiental já tem uma proporção maior, há muitos grupos não governamentais a formarem-se para apoiar esta temática. Mas acredito ainda haver um longo caminho a percorrer para consciencializar o povo.

E acredita que as empresas estão conscientes dessa mudança comportamental?
Sim! Temos de dar mérito ao ministério da tutela pelo árduo trabalho que tem desempenhado, já que tem procurado chamar a razão as empresas e consciencializando-as, antes mesmo da aplicação de uma coima.

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«Quando iniciámos, a Eco-Eficiência era composta por 3 engenheiras» 

Um dos grandes problemas nas cidades é a gestão dos resíduos e a reciclagem. Este problema pode ser considerado um dos mais preocupantes na concretização de um projecto no nosso país, seja ele qual for? 
Sim, é um grande problema, desde a recolha dos resíduos, acondicionamento e deposição final. Posso dar um exemplo: um cliente nosso contratou uma empresa de recolha de resíduos certificada. Supostamente, os mesmos deveriam recolher e depositar os resíduos no aterro sanitário, tal como escrito em contrato. Mas a mesma, por sua vez, fez o depósito em lugar inapropriado na via pública. A fiscalização chamou a razão ao nosso cliente, pois os resíduos encontrados faziam parte da empresa. Com isto quero dizer que falta coordenação, falta consciencialização e um controlo maior neste sentido.
Já existem no país muitas empresas de reciclagem, mas muito pouco divulgadas. A nossa forma de contributo cinge-se em recomendar no plano de gestão de resíduos empresas de reciclagem de formas a dar alternativas de descarte de resíduos recicláveis.

Mas, com o passar dos anos, notam um maior volume na produção de resíduos, sejam eles urbanos ou industriais?
O crescimento demográfico e industrial é sim um factor determinante no aumento da produção de resíduos domésticos e industriais, associado com o consumo exagerado e desperdício de produtos. 

Do vosso ponto de vista, quais seriam as melhores e mais eficazes formas de assegurar essa reciclagem e a gestão dos resíduos tendo em vista a melhoria da saúde pública e do ambiente?
A gestão pública deve investir na consciencialização da importância da reciclagem e dar maior visibilidade e apoio as empresas de reciclagem angolanas. A criação de Ecopontos seria um bom começo.
Algumas pessoas e até empresas têm vontade de doar ou até mesmo vender resíduos, mas não sabem onde depositá-los. 

Acredita que Angola está preparada para enfrentar os problemas climáticos e ambientais que teremos no futuro?
Acredito que ainda é possível contornar a situação. Vamos a tempo de reverter os quadros, mas carece de um trabalho árduo e colectivo.

Quais os principais problemas do país e o que deveria ser feito com alguma urgência em relação às questões ambientais?

  • Campanhas de sensibilização ambiental, a começar pelas escolas
  • Criação de Ecopontos
  • Construção de novos aterros sanitários
  • Incentivar e apoiar a reciclagem e o consumo racional de recursos não renováveis
  • Criação de barreiras para evitar o desague de resíduos nos mares e rios
  • Reflorestar restaurar ecossistemas danificados
  • Criação de mais zonas verdes nas cidades
  • Apostar em energias renováveis
Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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