A Eco-Eficiência é hoje uma das empresas angolanas mais reconhecidas do mercado no país, um nome construído há 11 anos com três engenheiras. Hoje são 11 engenheiros, 8 delas mulheres. Estivemos à conversa com Deize Bernardo, directora-técnica da Eco-Eficiência.

Concretamente, como definiria o trabalho da Eco-Eficiência?
A Eco-Eficiência é conhecida por prestar serviços com excelência em consultoria de desenvolvimento sustentável, primando sempre pela qualidade e responsabilidade tendo como compromisso a satisfação e a segurança dos nossos clientes. 

E como analisa o crescimento da Eco-Eficiência?
Manter um negócio nos dias de hoje tem-se tornado cada vez mais desafiante, aliado ao cenário da crise mundial. Mas a Eco-Eficiência tem procurado se firmar no mercado fidelizando clientes e sempre em busca de novas parcerias. Quando iniciámos este projecto éramos uma equipa pequena, composta por 3 engenheiras. Hoje contamos com uma equipa multidisciplinar, de 11 engenheiros, dos quais 8 são mulheres. A Eco-Eficiência tem crescido de forma virtuosa.

Planeamento ambiental, monitoração ambiental e participação social. Estes podem ser considerados os três pilares da empresa?
Sim, com certeza. Hoje, as expectativas de crescimento empresarial estão vocacionadas ao Ambiente num todo. Para criação de uma empresa nesta área é necessário primeiramente o licenciamento ambiental, mas depois devemos estar em conformidade durante o desempenho das actividades. 

Um dos vossos planos complementares é a concretização de programas de conservação do habitat, flora e fauna. Como funciona esse plano em concreto?
Para os planos de conservação de habitat, flora e fauna, são criadas acções e processos que incluem identificações de opções de ordenamento e priorização da preservação da biodiversidade num todo, principalmente de espécies categorizadas na lista vermelha de Angola.

Mas como a preservação das espécies animais é enquadrada no vosso dia-a-dia? Já tiveram de fazer recomendações para a alteração de projectos devido a um eventual conflito de existência com determinada(s) espécie(s), por exemplo?
Sempre temos em conta a priorização da conservação da biodiversidade. Nunca aconteceu conflitos neste sentido. Mas, se um dia acontecer, vamos analisar as possibilidades de inserção do projecto sem comprometer a espécie que pretendemos preservar. Caso não for possível, optaremos por sugerir uma outra alternativa de localização.

E acredita que será complicado passar essa mensagem aos vossos clientes, que por vezes não é possível seguir com o projecto inicial devido a um problema com a preservação de uma ou mais espécies animais?
Nunca aconteceu, porém penso não ser difícil passar uma mensagem que, por sua vez, deve estar em decreto presidencial. Os nossos empresários devem aprender a lidar com as regras e normas estabelecidas no país. Os tempos são outros, a preocupação com o meio ambiente deve partir de cada um de nós e é preciso pensar no colectivo.

Nos últimos anos, têm notado uma maior procura pelos vossos serviços?
Acredito que, nos últimos anos, o ministério da tutela tem-se feito sentir. Como consequência, as empresas são obrigadas a recorrer às consultoras ambientais para estarem em conformidade com a lei. 

E quais os principais projectos desenvolvidos pela Eco-Eficiência tendo em vista a consciencialização da população angolana para a questão ambiental?
A Eco-Eficiência tem realizado campanhas de limpeza, principalmente em praias. A nossa última campanha de limpeza de praia, no Mussulo, teve duas vertentes, a consciencialização da recolha selectiva mas também o descarte adequado dos resíduos. Temos muitos outros projectos em carteira, mas tendo em conta a situação pandémica, acabamos por adiar as nossas campanhas.

Sendo uma área bastante específica e, de certo modo, recente no nosso país, foi complicado reunir a equipa de profissionais que integra hoje a empresa?
Todo começo é difícil. Mas, nestes 11 anos, já temos uma equipa bastante sólida e multidisciplinar.

Como foi realizado este recrutamento, quais os cuidados que tiveram na selecção e se esta foi complicada de ser realizada devido à especificidade do trabalho exigido?
Temos uma equipa muito jovem e dinâmica. Optámos por dar oportunidades em alunos recém-licenciados. Na maioria das vezes não temos como critério primordial a experiência porque podemos formar, capacitar e moldar a equipa a nosso critério.

Do vosso ponto de vista, é uma área onde há ainda uma carência de profissionais?
Acredito que não há carência de profissionais, existe é a falta de credibilidade na competência dos técnicos nacionais. As empresas devem apostar na força de trabalho nacional e acreditar no potencial que cá temos. 

Na terça-feira, a segunda parte da entrevista, com Deize Bernardo a abordar a questão ambiental em Angola.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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