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É um dos mantras em Angola: «O país deve diversificar a sua Economia, não pode ficar dependente do petróleo». Pois bem, um alerta foi dado agora, já que, e segundo a consultora Fitch Solutions, a produção de petróleo em Angola pode cair cerca de 20% até o final da década se não forem feitos novos investimentos no sector petrolífero.

Segundo a Fitch Solutions, Angola poderá produzir no final da década cerca de 1 milhão de barris diários (hoje ronda os 1,277 milhões de barris por dia) caso o país não invista no sector petrolífero, ou seja, uma queda de 20% na produção de petróleo. Sendo Angola muito dependente do ouro negro, esta queda pode ser determinante na economia do segundo produtor de petróleo em África, apenas atrás da Nigéria.

«Antevemos que a produção de petróleo em Angola decline a longo prazo, com a produção de petróleo, gás natural liquefeito e outros líquidos a contrair-se, em média, 2,2% ao ano até ao final da nossa previsão a dez anos, chegando a 1,03 milhões de barris diários em 2030», refere o relatório da Fitch Solutions.

Evidentemente que este dado pode ser (e é) assustador, mas também podemos olhar o copo meio cheio em vez de apenas olhar o copo meio vazio, ou seja, podemos encarar essa possível queda como uma obrigatoriedade das autoridades angolanas em investir de vez na economia global além do petróleo.

Como referiu o Fundo Monetário Mundial em Novembro último, o caminho do país deve ser a diversificação da economia para diminuir a dependência de Angola das exportações de petróleo bruto ao longo do tempo.

Na ocasião, a entidade, através de um artigo assinado em conjunto por Mario de Zamaróczy e Marcos Souto, já tinha revelado que a diversificação da economia «é uma necessidade absoluta» para o país, «porque as reservas de petróleo são limitadas e as perspectivas de longo prazo para a procura internacional de petróleo desfavoráveis devido à viabilidade das fontes renováveis de energia. Não há solução mágica aqui».

Mas há mais:

O sector produtivo de Angola precisa de mais estradas e melhores ligações de transporte, mais electricidade e água em todos os lugares para que a economia possa recuperar e crescer de forma sustentável e inclusiva, trazendo oportunidades e melhores condições de vida a todos os angolanos. Isso levará algum tempo (…) e ainda há muito trabalho a ser feito.»

Portanto, é urgente olhar com perspectiva para o futuro. O Governo de João Lourenço já mostrou o seu desejo de olhar precisamente para além do petróleo, principalmente para o sector agro-pecuário. No entanto, diversificar a economia tem de ser algo mais abrangente, pois há diversos outros sectores que carecem de atenção e investimentos por parte do investimento público, mas também privado.

De acordo com os analistas da Fitch Solutions, as reformas no sector petrolífero abrandaram nos últimos tempos, principalmente em 2020 devido à pandemia.

«Desde 2018, as reformas no gás e petróleo abrandaram e as companhias precisam agora de sinais concretos de mudança para desbloquearam investimentos substanciais para o sector de ‘upstream’ [busca e exploração de poços de petróleo] de Angola», podemos ler no relatório.

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No entanto, o mesmo refere que, no presente ano e em 2022, a produção poderá sofrer um aumento de 2% e 4,2%, respectivamente, um crescimento ainda mais perigoso se não for olhado a longo prazo, como defende a Fitch Solutions, que salienta que um dos grandes problemas de Angola é que o seu maior potencial de exploração está nas águas profundas e ultraprofundas, «o que requer a disponibilização de investimentos de alto custo e com elevado risco», por isso a necessidade de diversificar a economia.

Ou seja…

O ambiente de preços mais baixos e mais incertos significa que os projectos que aguardam a Decisão Final de Investimento estão em risco de sofrer atrasos ou serem completamente abandonados se os preços não subirem.»

A Fitch Solutions recorda que, já no ano passado, as grandes companhias fugiram aos projectos de alto risco, dando primazia aos projectos de baixo carbono.

Portanto, este novo dado da Fitch Solutions demonstra mais uma vez a necessidade de reinvenção para o país. O petróleo poderá continuar a ser o motor da economia de Angola, mas é necessário encontrar outras peças que fomentem a produtividade, encontrar novos propulsores, diversificar. É hora de criar capital para mobilizar um investimento produtivo para diversificar a economia. É preciso investimento para não termos uma queda tão abrupta na produção de petróleo na próxima década, mas parece-nos fundamental termos um investimento alargado também nos restantes sectores competitivos da sociedade angolana.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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