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As principais petrolíferas europeias apresentaram finalmente as suas contas de 2020. E, como o esperado, o resultado foi no mínimo assustador, com perdas multimilionárias de um sector que se orgulhava há pouco tempo de apresentar lucros… multimilionários. O futuro? Energia verde!

Evidentemente que ninguém esperava lucros, mas também os analistas não esperavam uma perda tão grande por parte das principais petrolíferas europeias. Só as britânicas BP (16,8 mil milhões de euros) e Shell (18 mil milhões de euros) e a francesa Total (5,9 mil milhões de euros) somaram um prejuízo de 40,7 mil milhões no ano passado. Em 2019, tiveram um lucro de 25,8 mil milhões… 

A italiana Eni, a última a apresentar os seus resultados, na passada sexta-feira, teve prejuízos de 8,5 mil milhões (lucro de 148 milhões em 2019), enquanto a espanhola Repsol teve perdas de 3,2 mil milhões de euros. Já a norueguesa Equinor registou um negativo de 4,5 mil milhões de euros em 2020. 

Ou seja, e resumindo, as principais petrolíferas europeias tiveram prejuízos na ordem de 57 mil milhões de euros, muito fruto da pandemia, que reduziu ainda mais a procura, algo que, aliás, já se verificava antes da Covid-19 (como curiosidade, refira-se que a portuguesa Galp teve um prejuízo de 42 milhões de euros no ano passado, o que compara com um lucro de 560 milhões de euros em 2019).

A nova era das petrolíferas europeias e mundiais

Segundo muitos analistas, 2020 marcará um antes e um depois na indústria e os prejuízos das petrolíferas europeias são apenas mais um dado nessa nova era. Não temos dúvidas de que já não há espaço para as estratégias do passado e que viveremos um período de transformação ainda mais verde no pós-Covid.

As energias renováveis são hoje uma realidade para a própria indústria e a redução das emissões de CO2 uma obrigação política, mas principalmente social. Finalmente o mundo tomou consciência da urgência que vivemos e não há mais espaço para adiar medidas. E as petrolíferas têm consciência dessa mudança comportamental, nem que seja pela abrupta queda dos preços do barril de petróleo (não podemos esquecer que o barril chegou a ser negociado a valores negativos, em Abril…).

As circunstâncias exigem portanto novas estratégias por parte das empresas petrolíferas, que começam a reavaliar os seus activos, principalmente por não ser sustentável a sobrevivência do sector com estas perdas multimilionárias. Embora os valores do barril de petróleo estejam a subir há duas, três semanas, ninguém acredita que a indústria regressará aos seus tempos áureos. Por exemplo, as acções da Repsol caíram 39,9% em 2020, uma tendência que também aconteceu na Eni (38,8%), BP (47,02%), Shell (44,97%) e Total (29,1%).

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Deste modo, as empresas petrolíferas já estão a se movimentar (não há tempo a esperar…). Por exemplo, a Galp investiu no ano passado na aquisição de capacidade de energia renovável da empresa espanhola Acciona. Este é apenas um caminho que está a ser seguido por algumas empresas a nível mundial. Outras, preferem ser produtoras e distribuidoras em simultâneo.

Com as economias ainda sob o efeito do confinamento e das medidas de restrição, e com o incentivo dado pelo mercado nas últimas semanas, é hora de olhar de vez para 2021 e para o futuro, já com dados concretos do que aconteceu em 2020, um dos piores anos de sempre da história da indústria. Senão o pior…

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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