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Uma das regiões mais produtivas do continente africano na actualidade, a parte Norte de África subsariana vive uma contradição dos tempos modernos: os índices de poluição estão a baixar apesar do crescimento económico, ou seja, a qualidade do ar aumentou na região.

Habitualmente, o crescimento económico acaba por aumentar os níveis de gases perigosos, o que reflecte uma maior poluição atmosférica e uma má qualidade do ar para a sua população, além do aumento dos níveis de dióxido de carbono e os consequentes problemas para o clima.

No entanto, e de acordo com o estudo agora publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, tal lei científica é contrariada agora de forma surpreendente na área estudada entre o Senegal e Costa do Marfim, no Oeste, e o Sudão do Sul, Uganda e Quénia, no Leste. Na região, a qualidade do ar aumentou apesar do crescimento da riqueza e da população. 

A conclusão do estudo causou inclusive surpresa ao pesquisador da NASA Goddard Institute for Space Studies, Jonathan Hickman, que considerou de «muito interessante» ver este tipo de trajectória fora do padrão normal dos últimos tempos. O especialista recordou ao The New York Times que o paradigma tradicional é que, «à medida que os países de renda baixa e média crescem, ocorra um maior nível de emissões». 

«Portanto, é bom ver um declínio ocorrendo quando estamos à espera de ver um aumento da poluição», referiu.

Mas como tal aconteceu?

Os pesquisadores acreditam que a redução da poluição do ar deve-se a diminuição no número de incêndios provocados pelos agricultores locais. Sendo um dos continentes onde a queima da biomassa é maior durante a estação seca (um método barato e eficiente de limpar a terra, além de reter nutrientes minerais no solo), os incêndios foram em menor número de acordo com o crescimento económico verificado nos últimos anos. Incêndios que, combinados com a poluição urbana, são uma bomba para a atmosfera e o aquecimento global.

O The New York Times refere que o estudo agora publicado utilizou dados e imagens da NASA para medir os gases perigosos presentes no ar da região e determinar as tendências de incêndio entre 2005, quando os registos da NASA começaram, e 2017. 

«No pico das temporadas de incêndios, os níveis de dióxido de nitrogénio, ou NO2, um gás nocivo produzido pelo tráfego rodoviário e pela combustão de outros combustíveis fósseis e vinculado a problemas respiratórios como a asma, diminuiu 4,5%», escreve o diário, que ressalta que a conclusão deste estudo é significativo para um continente que procura a sua industrialização em massa e que, em 2040, deverá ter cerca de 2 mil milhões de pessoas.

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«Não se poder ignorar», recorda o The New York Times, «que a poluição ultrapassou a SIDA como a principal causa de morte no continente», o que aumenta o interesse deste estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, ainda mais num continente onde há pouca ênfase na colecta de dados da qualidade do ar ou a implementação de políticas de ar puro. 

O novo estudo «fornece uma ferramenta importante para preencher algumas dessas lacunas de dados que temos em África», afirmou Andriannah Mbandi ao diário norte-americano. «Seria óptimo se o trabalho de acompanhamento deste estudo quantificasse os níveis (…) para as métricas económicas e de saúde, informações que seriam úteis para os decisores políticos». 

Apesar destes animadores dados, a verdade é que a poluição em África está a crescer, principalmente por 80% da energia gerada no continente é oriunda do carvão ou de outros combustíveis fósseis. Hickman chegou a defender que este aumento da qualidade do ar verificada no estudo agora divulgado muito provavelmente será revertido no futuro próximo devido ao uso dos combustíveis fósseis também na região da pesquisa. Ou seja, e ao que tudo indica, tivemos na região apenas a excepção que confirma a regra

Por fim, refira-se que a consultora Capital Economics revelou há dias que a África subsariana deverá crescer 4,9% este ano, recuperando da recessão do ano passado motivada pela pandemia da Covid-19.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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