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A bomba foi revelada pelo The Wall Street Journal há poucos dias: as duas maiores petrolíferas dos Estados Unidos, a Chevron e a ExxonMobil, discutiam a possibilidade de uma eventual fusão entre as duas companhias. Se tal acontecer, será a segunda maior empresa do ramo a nível mundial, com um valor de mercado de 350 mil milhões de dólares.

Segundo o The Wall Street Journal, as conversações entre estes dois monstros do Mundo do Petróleo decorrem desde o ano passado, conversações provocadas pela crise causada pela pandemia, que parece ter colocado de vez em causa a indústria petrolífera. O diário refere que as discussões estão agora paradas, «mas podem voltar no futuro», escreve o jornal, que revela qual o valor de mercado de cada empresa:

  • Chevron: 164 mil milhões de dólares
  • ExxonMobil: 189 mil milhões

Ou seja, juntas, as duas estariam apenas atrás da estatal saudita Saudi Aramco e alcançaria uma produção de aproximadamente 7 milhões de barris por dia. Mas as conversações entre a Chevron e a ExxonMobil mais não é do que um claro alerta sobre o mercado petrolífero, que atravessa uma das piores crises de sempre. 

A procura caiu drasticamente ao redor do mundo após a crise desencadeada pela pandemia e, consequentemente, os preços do barril no mercado internacional. Por exemplo, foi em 2020 que, pela primeira vez na história, os contratos futuros do WTI operaram em terreno negativo…

Mas há mais factores que preocupam a indústria petrolífera mundial, talvez a principal a impressionante competitividade do mercado de energia renovável em relação aos combustíveis fósseis. Se antes a diferença de preços era algo bastante assinalável, hoje tal não acontece, com a energia solar, por exemplo, a ser considerada a energia mais barata do momento.

Durante anos a indústria petrolífera ignorou por completo as energias renováveis, considerando que as mesmas jamais conseguiriam ser lucrativas e rentáveis. O problema é que os anos mostraram o contrário e hoje é uma concorrente real, o que complicou em muito a vitalidade económica dos combustíveis fósseis. Para piorar o cenário, a recuperação económica neste primeiro semestre ainda parece ser uma miragem. Ao contrário do que todos imaginavam, a pandemia não regride, pelo contrário.

Com este cenário, não é de admirar que as acções da ExxonMobil tenham caído cerca de 29% em 2020, enquanto as da Chevron recuaram aproximadamente 20%. No ano passado, a ExxonMobil registou a primeira perda anual da sua história recente, com um resultado negativo de 22,4 mil milhões de dólares; a segunda apresentou um prejuízo de 5,5 mil milhões de dólares.

Joe Biden poderá ser decisivo numa eventual fusão Chevron e a ExxonMobil

De referir que uma eventual fusão entre a Chevron e a ExxonMobil poderá ter um entrave governamental, já que o novo presidente os Estados Unidos, Joe Biden, já deixou claro que uma das suas apostas nos próximos tempos será a transição energética, dando prioridade as energias renováveis e dificultando a vida à indústria petrolífera. Mas também poderão existir outros entraves relativos a esta eventual fusão, como processos judiciais antitrust

A verdade é que esta fusão poderia ser uma realidade mais fácil de ser consumada na governação de Donald Trump, cuja administração era considerada mais amigável para a indústria petrolífera. Os especialistas consideram que os CEOs Mike Wirth, da Chevron, e Darren Woods, da ExxonMobil (empresa mais valiosa dos Estados Unidos há 7 anos e retirada pela primeira vez do índice Dow Jones Industrial Average no ano passado…), perderam assim uma oportunidade, ainda mais quando as conversações aconteceram em 2020.

Agora é esperar o que o futuro determinará. Uma eventual fusão entre a Chevron e a ExxonMobil seria um marco na indústria (não só do petróleo), que superaria em muito as fusões ocorridas no final dos anos 90 e no início dos anos 2000. De modo geral, os investidores, analistas e executivos consideram que esta solução seria benéfica, já que a fusão muito provavelmente melhoraria a eficiência operacional das duas empresas, que serviriam de modelo para as restantes.  

Uma indústria que ainda sonha este ano com a recuperação, como recentemente referiu o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que não deixou de demonstrar o seu optimismo. 

«Todos nós concordamos que a recuperação é frágil, ainda há inúmeras incertezas, mas estamos cautelosamente optimistas de que a recuperação será uma realidade ainda este ano», afirmou Mohammad Barkindo durante o Atlantic Council Global Energy Forum.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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