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Bastião da Revolução Industrial, o Reino Unido alcançou em 2020 um desempenho recorde no sector das energias renováveis, que superou pela primeira vez os combustíveis fósseis no fornecimento de energia. E na Europa aconteceu o mesmo…

As imagens do carvão a movimentar as máquinas durante a Revolução Industrial são cada vez mais uma miragem no imaginário colectivo. Ainda mais quando a Grã-Bretanha, o berço da industrialização, acaba de alcançar um feito que merece ser referenciado: as energias renováveis ​​ultrapassaram os combustíveis fósseis como principal fonte de electricidade em 2020.

Com a energia a carvão já perto de zero, o gás fóssil foi forçado a uma baixa de 5 anos em 2020 pelo crescimento da energia eólica e demanda abaixo da média devido à Covid-19. Embora a produção de renováveis ​​no Reino Unido seja dominada pelo vento, ela ainda depende excessivamente da bioenergia de risco, que deve ser substituída por energia mais limpa para descarbonizar totalmente a rede do Reino Unido», podemos ler no site da Ember.

Mas esta mudança não ocorreu apenas na Grã-Bretanha, mas também na União Europeia, o que comprova que a Europa continua o seu caminho sustentável para o fim da dependência dos combustíveis fósseis nos próximos anos, se possível até 2030. A Ember e a Agora Energiewende revelam que a Europa gerou, pela primeira vez, mais electricidade oriunda de fontes renováveis do que de combustíveis fósseis no ano passado.

Segundo os relatórios, a energia eólica, solar, hidráulica e biomassa foram responsáveis por 38% da eletricidade produzida no continente, ou seja, 3,4% a mais do que aconteceu em 2019, ano em que a utilização de combustíveis fósseis já caíra cerca de 37%. A União Europeia já revelara que o seu desejo é ser a protagonista na luta mundial contra as alterações climáticas, o que, com estes números, a colocam nessa posição.

Os relatórios da Ember e a Agora Energiewende revelam que a produção das usinas a carvão e de energia nuclear na Europa perdeu 20% e 10%, respectivamente. Já a utilização do gás teve uma quebra de 4% no ano passado. No entanto, nos últimos cinco anos, o uso do gás natural como fonte de energia subiu 14%, uma tendência confirmada em 2020 em três países em concreto: Grécia, Holanda e Polónia.

Como era de esperar, as energias solar e eólicas comandam o comboio das Energias Renováveis, um comboio que tem como maquinistas três países: Holanda, Suécia e Bélgica. Nota também para a Alemanha e Espanha, onde a produção de energias renováveis ​​superou ao que tivemos nas usinas de gás e carvão.

Muitos podem pensar que estes números ocorreram devido à crise da Covid-19. No entanto, os especialistas garantem que esta queda dos combustíveis fósseis é uma tendência verificada nos últimos anos. Todavia, o receio do director da Agora Energiewende, Patrick Graichen, um dos principais defensores da aplicação de regras duras tendo como objectivo o maior consumo de energia limpa possível, é que a possível retoma possa inverter esta tendência de queda.

«A recuperação económica pós-pandemia não pode impactar de forma negativa na protecção ao meio ambiente», defendeu.

Um dado a reter é que ainda há um enorme caminho por percorrer. Por exemplo, a exploração de energia oriunda da biomassa estagnou no continente europeu, algo que acontece desde 2018.

O caminho da energia renovável no Reio Unido

No Reino Unido, 42% da eletricidade foi gerada por fontes renováveis ​​em 2020, 1% a mais do que a gerada pelos combustíveis fósseis. Este marco deveu-se basicamente a três factores:

  • expansão contínua da capacidade das energias renováveis
  • erradicação quase completa do carvão da rede 
  • redução da procura de energia devido à crise do coronavírus, que acarretou uma menos procura da energia do gás, por exemplo, com mínimos verificados há cinco anos

Das energias limpas, referência para a eólica, já responsável por cerca de um quarto da energia do Reino Unido. A solar e a hidroeléctrica forneceram 4 e 2%, respectivamente. Em contraste, o carvão gerou apenas 2% da electricidade do Reino Unido em 2020 (em 2015 era responsável por 23% de toda a energia…) e o gás continua a ser a maior fonte de energia, 37%.

«O gás fóssil caiu 15% de 2019 para 2020, com a energia eólica a ganhar 4% desse valor. Embora a baixa procura devido à Covid-19 tenha feito de 2020 um ano incomum, não podemos ignorar que o gás está vulnerável ao aumento da produção da energia renovável», refere o relatório da Ember.

Refira-se ainda que o Governo britânico pretende, até 2030, apresentar 40 GW de capacidade eólica offshore, além da existência de uma maior aposta na energia solar.

«Está claro que o Reino Unido iniciou a sua jornada rumo à eliminação da energia a gás em 2035, conforme recomendado pelo Comité das Mudanças Climáticas», salienta a Ember. 

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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