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O Departamento das Nações Unidas para Assuntos Económicos e Sociais (UNDESA) revelou os seus números para as economias lusófonas em África, com Angola a apresentar um crescimento de cerca de 4% na soma de 2021 e 2022.

Após um ano negro para os cofres de Angola, com uma contracção de 3% do PIB em 2020 (há cenários que apontam para uma queda de 5,5%…), a economia angolana poderá voltar a sorrir nos próximos dois anos segundo o relatório da UNDESA, que aponta para um crescimento de 1,2 e 2,6% em 2021 e 2022, respectivamente, mesmo com o perigo do prolongamento da pandemia ser maior do que o esperado e a provável menor produção de petróleo.

Uma boa notícia para Angola, que, no ano passado, registou o seu quinto ano consecutivo de crescimento económico negativo.

De referir que esta avaliação da UNDESA é mais optimista que o esperado pelo próprio Governo angolano, que estima um crescimento económico nulo ou perto de zero em 2021 segundo a revisão do Orçamento do Estado aprovada em Dezembro na Assembleia Nacional. Até mesmo o FMI apresenta uma expectativa mais cautelosa, já que a previsão do Fundo Monetário Internacional reviu em baixa a previsão para uma expansão económica de 0,4% do PIB em 2021.

Os analistas internacionais salientam que os piores momentos deste ano para o país deverão acontecer no primeiro semestre, o que significará uma maior desvalorização do kwanza, inflação mais alta e taxas de juros mais elevadas, limitando deste modo o crescimento do rendimento disponível dos consumidores, o que vai contrair o consumo privado.

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Como é de esperar, o mercado do petróleo será decisivo para que as previsões da UNDESA sejam uma realidade, já que uma recuperação a produção e a exportação de crude determinará muito do crescimento do PIB angolano este ano e em 2022. Não se pode ignorar ainda o programa de privatizações das empresas públicas angolanas, que vão impulsionar receitas e crescimento a médio prazo.

Países do Palop poderão sorrir em 2021 e 2022

Em relação às economias lusófonas em África, além de Angola, saliência para o crescimento de todas segundo os dados da UNDESA, à excepção da Guiné Equatorial.

O destaque vai por inteiro para São Tomé e Príncipe, que, só este ano, deverá crescer 4,7% após apresentar um défice de 7,1% em 2020. Uma recuperação realmente espectacular dos são-tomenses se tal acontecer, ainda mais que, em 2022, as previsões apontam para 5%.

No outro lado está a Guiné Equatorial. Com uma contracção de 8% do PIB em 2020, as previsões apontam para 0,3% em 2021 e – 0,6% em 2022, o único país dos Palops com uma contracção negativa no próximo ano. Um caminho que, por sinal, é salientado no relatório da UNDESA, que destaca que o crescimento económico em África regrediu 3,4%.

África tem passado por uma crise económica sem precedentes, com grandes impactos adversos no desenvolvimento a longo prazo do continente.»

No entanto, a UNDESA espera que, este ano, o crescimento seja de 3,4%, em média, desde que a pandemia seja controlada a curto prazo, pandemia que já causou cerca de 90 mil mortos e mais de três milhões de infectados em África.

«A pandemia está a causar um aumento no desemprego, pobreza e desigualdade, o que ameaça arrasar com os ganhos em desenvolvimento nas últimas décadas», salienta o relatório da UNDESA.

Por último, refira-se que o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Económicos e Sociais apresenta uma recuperação a nível mundial de 4,7% em 2021.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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