Mal assumiu, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que a luta a favor do clima seria primordial na sua governação. O regresso ao Acordo de Paris talvez tenha sido a medida mais comentada, mas a verdade é que outras ocorreram na quarta-feira passada, no denominado Dia do Clima

As primeiras decisões de Joe Biden em relação às mudanças climáticas foram aplaudidas um pouco por todo o mundo. No entanto, e ao contrário do que muitos imaginavam, o presidente dos Estados Unidos revelou na quarta-feira mais medidas que, do seu ponto de vista, são necessárias para o mundo enfrentar as mudanças climáticas que assolam o planeta.

No fundo, Joe Biden procura demonstrar logo no início do mandato o papel que o seu Governo pretende assumir naquele que é hoje o principal tema da agenda mundial (mesmo com a Covid-19), um tema que ficou relegado para segundo plano com a administração Donald Trump (diríamos mesmo para terceiro…).

Tendo como foco o combate climático, Joe Biden revelou novas medidas dirigidas ao seu país, numa posição que pretende reforçar a posição do presidente dos Estados Unidos a nível interno. Um pouco como aconteceu nos primeiros dias no cargo, quando cancelou a licença do oleoduto Keystone XL, que importaria óleo de areias betuminosas provenientes do Canadá.

Vamos combater a mudança climática de uma forma que nunca o fizemos antes. Estas primeiras medidas são apenas acções executivas. Elas são importantes, mas vamos precisar de legislação para muitas das coisas que pretendemos fazer.»

Se Donald Trump, durante os seus quatro anos no cargo, reverteu cerca de 100 regulamentações sobre clima e meio ambiente para maximizar a produção e as exportações de petróleo, gás e carvão, o seu sucessor na Casa Branca já deixou claro as suas prioridades:

  • «Melhorar a saúde pública e proteger o meio ambiente»
  • «Garantir o acesso a ar e água limpas»
  • «Limitar a exposição a produtos químicos e pesticidas perigosos»
  • «Responsabilizar os poluidores, incluindo aqueles que prejudicam desproporcionalmente comunidades de cor e comunidades mais vulneráveis»
  • «Reduzir as emissões de gases de efeito estufa»
  • «Reforçar a resiliência aos impactos das alterações climáticas»
  • «Priorizar a justiça ambiental e a criação de empregos sindicais bem remunerados, necessários para cumprir estas metas»

Para isso, Joe Biden  instruiu o governo federal a não autorizar mais novas perfurações de petróleo e gás, eliminou os subsídios aos combustíveis fósseis e ordenou a substituição de toda a frota do Governo norte-americano por veículos eléctricos.

«O Governo federal também possui uma enorme frota de veículos, que vamos substituir por veículos eléctricos limpos, feitos aqui na América, por trabalhadores americanos», afirmou.

Segundo o último relatório relativo à frota federal, de 2019, há um total de 645 mil viaturas, incluindo 245 mil veículos civis, 173 mil veículos militares e 225 mil dos correios. Será a maior mobilização de investimento público, infraestrutura de compras e R&D desde a II Guerra Mundial.

Nota ainda para a criação de um conselho ambiental entre órgãos governativos para lidar com as desigualdades raciais e económicas criadas pelas mudanças climáticas e a poluição do ar e da água.

O presidente dos Estados Unidos, que chamou a última quarta-feira de Dia do Clima, anunciou também a organização de uma cimeira sobre o clima no dia 22 de Abril, o Dia da Terra, data que coincide com o quinto aniversário da assinatura do Acordo de Paris, ao qual os EUA regressaram poucas horas após a posse de Joe Biden.

Estados Unidos de Joe Biden procuram pressionar a China na luta a favor do clima

Segundo país em emissões de gases com efeito de estufa, os Estados Unidos querem mostrar ao mundo que estão em definitivo de regresso ao papel principal na questão do Clima. Para isso, prometem fazer pressão diplomática para que a China, a maior emissora de gases com efeito de estufa do mundo, antecipe em 10 anos o seu objetivo de obter emissões líquidas de carbono zero até 2060.

Recorde-se que os chineses nunca tinham avançado com uma data para a neutralidade nas emissões de CO2, o que aconteceu recentemente com o discurso do presidente Xi Jinping na Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o político, o presidente chinês afirmou que o país, que é o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, vai atingir o pico de emissões em 2030 e, a partir daí vai começar a reduzi-las de forma a atingir uma pegada de carbono zero até 2060. São as metas mais concretas alguma vez anunciadas pela China, o país que gera um quarto das emissões de gases de efeito estufa do planeta, responsáveis pelo aumento da temperatura.

Para a pressão diplomática na luta a favor do clima, Joe Biden conta com John Kerry. O enviado especial para a crise climática do Governo dos Estados Unidos foi preponderante em 2016 quando conseguiu convencer os chineses a fazer parte da conferência climática da ONU em Paris.

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Esta semana, numa cimeira focada nos efeitos das mudanças climáticas que decorre em Haia, nos Países Baixos (nas edições anteriores o foco foi o combate às causas das alterações, nomeadamente às emissões de carbono), o ex-candidato presidencial e ex-secretário de Estado da administração Barack Obama lamentou a ausência do seu país na luta contra as mudanças climáticas sob a presidência de Donald Trump.

«Há três anos, os cientistas fizeram-nos um aviso bastante duro. Explicaram termos 12 anos para evitar as piores consequências da mudança climática. Agora resta-nos nove anos. Lamento que o meu país tenha estado ausente por três desses anos», afirmou Kerry. «O presidente Biden fez do combate às mudanças climáticas uma prioridade máxima para o seu Governo. Agora temos um presidente, graças a Deus, que governa, fala a verdade e está atento a esta questão. Estamos orgulhosos por estar de volta. Faremos de tudo ao nosso alcance para compensar os anos de ausência.»

A mensagem de Kerry é portanto bastante clara. Como escreveu a Reuters, «o Clima é uma prioridade de segurança nacional para o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden».

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Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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