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O recente fim do funcionamento da central termoeléctrica da EDP de Sines foi aplaudido pelos ambientalistas de todo o mundo. Nos seus tempos áureos, este monstro ambiental chegou a ser a 17ª central a carvão com maiores emissões de CO2 da União Europeia…. 

Um desfecho triste, mas necessário. O término das actividades da central termoeléctrica da EDP em Sines é, na verdade, um alívio para o ambiente, apesar dos seus custos sociais, que não são pequenos, reconhecemos. No entanto, no balanço entre os custos e benefícios, acreditamos que o fim da queima do carvão será benéfico para todos no futuro, já que finalmente desapareceu o elefante branco na sala, uma fonte de energia fóssil que é altamente poluente e que deve ser substituída o mais rápido possível. 

Maior central de produção de energia de Portugal em tempos, a central de Sines foi um marco do país nos anos 80 (muito devido à crise petrolífera dos anos 70), já que o seu objectivo era fazer com que Portugal não ficasse dependente do petróleo e derivados, com a central da EDP de Setúbal a ser a responsável pelo abastecimento de energia eléctrica ao país. 

Numa entrevista concedida ao site eco.sapo, um dos funcionários de Sines revela como tudo acontecia no século passado, comportamentos que hoje, apenas 40 anos depois, seriam impensáveis.

No início não havia qualquer controlo das emissões em Sines. Via-se o fumo amarelado a sair das chaminés, por causa do enxofre, o horizonte manchado por cima do mar. Mais tarde foi rectificado, foi feito um investimento enorme. O enxofre passou de 2500 mg por m3 para menos de 200 mg por m3, as emissões de óxido de nitrogénio (NOx) foram reduzidas em mais de 10 vezes, as cinzas foram sempre capturadas. O problema era o CO2, mas na altura dizia-se que era um poluente verde, porque era capturado pelas árvores e transformado em oxigénio.»

Esta última frase, nos nossos dias, é algo que choca, mas, ao mesmo tempo, revela como a humanidade evoluiu, comprovando que nem tudo foi mal nesta última metade do século.

Como comprova o fechamento da própria central de Sines, responsável, de acordo com a associação ambientalista Zero, por 12% das emissões de gases de efeito de estufa em Portugal, a instalação com maior peso nas emissões de carbono no país. Para termos uma ideia, Sines foi responsável por um terço da energia eléctrica consumida em Portugal: 29% nos anos 90, 20% na década de 2000 e 15% na década de 2010.

«O encerramento à meia-noite de hoje, 14 de Janeiro, da central termoeléctrica de Sines ocorre 3.273 dias antes do previsto no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (que apontava para o final da década) e traduz-se na redução imediata mais significativa de emissões de gases com efeito de estufa até agora em Portugal. A central de Sines produzia electricidade recorrendo à queima de carvão através de quatro grupos geradores, com uma potência eléctrica instalada total de 1.256 MW. Apesar de os equipamentos de despoluição instalados, a central a carvão de Sines era fonte significativa de emissão de diversos poluentes, como os óxidos de azoto, dióxido de enxofre, partículas e metais pesados, cujas quantidades lançadas para a atmosfera em Portugal também sofrerão uma redução importante», podemos ler no site. «Em 2018, a central de Sines foi a 17ª central térmica a carvão e a 22ª instalação com maiores emissões de dióxido de carbono da União Europeia; em 2019 passaria para a 58ª posição na seriação das instalações com maiores emissões. Em 2020 a central de Sines foi responsável pela emissão de 1,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono, menos 2 milhões de toneladas (menos 54%) que em 2019.»

Ou seja, números absurdos e que demonstram a necessidade do seu encerramento. Evidentemente que o seu desmantelamento deve-se também, para além das emissões poluentes, da queda  directa dos preços do mercado do carvão e da disponibilidade da obtenção da electricidade oriunda de fontes renováveis, mas também das centrais a gás natural que apresentam uma maior eficiência e menores emissões comparativamente às centrais a carvão.

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«A decisão de antecipar o encerramento de centrais a carvão na Península Ibérica é assim uma consequência natural do processo de transição energética, estando alinhada com as metas europeias de neutralidade carbónica e com a vontade política de antecipar esses prazos», afirmou em comunicado Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo interino da EDP.

Esta decisão não surge apenas por questões ambientais, não sejamos ingénuos, apresenta também razões económicas, mas não podemos deixar de aplaudir o seu encerramento. Agora é hora de encontrar novas alternativas, que, felizmente, são mais amigas do meio ambiente. Ao que tudo indica, a decisão da EDP de antecipar o encerramento vai fazer com que a central termoelétrica de Sines se afirme na produção de hidrogénio verde com possibilidade de exportação por via marítima. A acompanhar…

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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