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Artigo de opinião da edição de 8 de janeiro de 2021 para o semanário Novo Jornal, de Angola.

«O ano agora começou mas ainda é tempo de fazermos previsões para moldarmos as nossas expectativas, sempre altas em qualquer início de ano. A chama da esperança acendeu-se com a vacina da Covid-19 em 2020 e este regozijo mundial terá consequências socioeconómicas em todo o mundo nas mais diversas áreas em 2021, inclusive no Mercado do Petróleo e Gás.

Apesar de estar mais do que habituada aos humores do mercado e aos sempre inconstantes altos e baixos dos seus ciclos económicos, a indústria do petróleo e gás provavelmente entra em 2021 com um enorme ponto de interrogação no seu horizonte. A retracção causada pela Covid-19 foi diferente de tudo e colocou em risco a sobrevivência de milhares de empresas, em Angola e no mundo.

Para piorar o cenário da indústria petrolífera, a revolução ambiental que a humanidade vive, com as Energias Renováveis a estarem de uma vez por todas na agenda económica mundial, acarreta inevitavelmente um declínio da procura do petróleo e do gás a longo prazo, como aliás já estava a acontecer no período pré-pandemia.

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Todavia, acreditamos que, pelo menos no primeiro semestre, a onda de entusiasmo mundial com a distribuição das vacinas signifique o aumento do preço do barril de petróleo nos principais mercados, uma opinião partilhada aliás por vários especialistas e entidades, como os bancos de investimento Goldman Sachs e Citi, por exemplo.

Segundo diversas previsões, o ano de 2020 terminou com uma redução da procura de cerca de 8%, um saldo bastante positivo tendo em conta as consequências da pandemia mundial (não podemos ignorar que a procura global pelo petróleo caiu 25% em Abril…). Com a distribuição da vacina, muito provavelmente teremos um crescimento em 2021 dessa mesma procura em comparação a este ano, embora dificilmente a demanda seja superior aos níveis pré-Covid-19, confirmando deste modo as constantes quedas verificadas nas últimas décadas.

Capa do Novo Jornal do dia 8 de janeiro de 2021

Espera-se que o preço do barril de petróleo Brent alcance uma média de 46,59 dólares por barril em 2021. Mais do que a média de 2020 (40,61 dólares), mas 28% inferior ao preço médio de 2019 (64,34 dólares).

Não é por acaso que, nos Estados Unidos, ocorreram cerca de 14% de demissões de trabalhadores fixos na indústria do petróleo e gás em 2020. E, segundo vários estudos, 70% dos trabalhadores dispensados durante a pandemia podem não regressar ao mercado até o fim de 2021. As demissões em massa comprovam que o sector está a viver um período crítico da sua história e demonstram que a reputação que a indústria petrolífera mantinha, de emprego para a vida, está com os dias contados.

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A já denominada grande compressão da indústria do petróleo e gás, ou seja, a constante desaceleração verificada principalmente nos últimos 10 anos, é definitivamente diferente de qualquer outra, o que coloca em causa toda a cadeia de valor do sector nas décadas seguintes, não só em 2021. Este será definitivamente um ano de resistência para muitos, um ano fulcral para determinar a direcção da indústria.

Na realidade, não há neste momento um futuro para o sector, mas apenas o agora. Os sinais estão à vista de todos, já que a indústria já enfrentava ventos contrários antes mesmo do início da pandemia. O que fez a Covid-19 foi acelerar a transformação digital que o Mercado do Petróleo e Gás necessitava, como aconteceu aliás em todas as áreas económicas. O que poderia ter levado anos para acontecer acabou por acontecer em alguns meses.

O sector do petróleo e gás, em 2021, tem de se direccionar para o futuro das Energias Renováveis e a tecnologia, um caminho complexo e que exigirá escolhas ousadas por parte das empresas (muitas não conseguirão…). Este ano é um dos momentos cruciais para a indústria devido a tomada de decisões que terão de ser tomadas em relação à estratégia do negócio por parte dos players do mercado. O compromisso com uma energia mais limpa, as alterações nos padrões da procura e da composição da oferta, o investimento ambiental (socialmente responsável e focado), a captação de novos quadros enquadrados com as exigências do mundo actual e a consolidação de projectos de baixo custo mas rentáveis são apenas algumas das saídas que vemos como caminhos a tomar em 2021.

As escolhas que as empresas do mercado do petróleo e gás tomarem este ano, assim como as apostas que pretendem priorizar a nível interno, decidirão o caminho a seguir e a sua própria existência. Não só em 2021, mas na próxima década!»

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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