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O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, revelou recentemente que o seu país, juntamente com a Arábia Saudita, está a trabalhar num projecto com o objectivo de utilizar a inteligência artificial no processo de exploração de petróleo e gás.

«Há uma iniciativa conjunta para usar a inteligência artificial na exploração de petróleo e gás», afirmou Alexander Novak. Responsável pelas negociações da aliança OPEP + (Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP – e mais 10 países não membros), o político russo deu a entender que ambos os países procuram encontrar soluções para o desperdício da exploração, ao mesmo tempo que assinalou a importância da inteligência artificial na luta contra as alterações climáticas.

Ao lado do ministro saudita da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman, Alexander Novak salientou que há neste momento no seu país cerca de 30 projectos financiados com capital saudita no sector de novas tecnologias e inteligência artificial, num investimento que ronda os 2,5 bilhões de dólares.

Como referi há algumas semanas com o projecto da Alphabet (empresa mãe da Google) para a agricultura (um robot inspecciona as safras agrícolas com o uso de análise de dados e inteligência artificial, colecta os dados e cruza as informações com o clima e a saúde do solo, por exemplo), a inteligência artificial é o passo a seguir nas mais diversas áreas na próxima década, inclusive na indústria petrolífera, como comprova agora Alexander Novak.

O vice-primeiro-ministro russo salientou que a Energia continua a ter um papel preponderante na relação entre os dois países, o que obriga a um grande investimento de ambos em busca de soluções tendo em vista uma melhor produção de petróleo, muito mais eficaz, sem ignorar um melhor modo de recuperar o desperdício causado pela extracção, por exemplo. 

Gazprom Neft lidera as investigações sobre a inteligência artificial (e não só…)

Principal referência energética da Rússia, a Gazprom tem um departamento de inovação e controlo de eficiência e gerenciamento de projectos em São Petersburgo, a denominada Gazprom Neft. Redes neurais, inteligência artificial, plataformas digitais, tecnologias de blockchain, realidade aumentada e virtual, robotização… Nada é deixado de lado pela Gazprom Neft, que, através da inteligência artificial, conseguiu reduzir os prazos de entrega de grandes projectos de produção de petróleo e gás, ao mesmo tempo que reduziu para metade o tempo necessário para alcançar o “first oil”. 

A cadeia petrolífera, ou seja, da prospecção geológica à venda de combustível em postos de abastecimento, é extensa e a Gazprom compreendeu a importância da inteligência artificial neste processo, principalmente devido à redução de custos de produção. 

É importante que tecnologias como estas sejam implementadas não apenas em toda a indústria do petróleo, mas também na energia, electricidade, aquecimento e mineração para manter a competitividade nos mercados internacionais», defendeu Alexander Novak.

A Gazprom Neft revela, por exemplo, que os sistemas cognitivos estão a tornar possível a redução do tempo gasto na avaliação de possíveis locais de perfuração de várias semanas para… 15 minutos. Mas também salienta que o seu sistema “Neftecontrol” consegue controlar as quantidades e a qualidade dos produtos petrolíferos em todas as fases do seu desenvolvimento e transporte, desde as refinarias aos petroleiros, garantindo que os volumes de produção e os padrões de qualidade são mantidos ao longo de todo o processo.

Estes são apenas dois exemplos das mudanças que a indústria petrolífera terá de passar nos próximos anos, uma visão futurista já presente na principal empresa russa, uma das referências mundiais no sector.

Alexander Dyukov, CEO e presidente do Conselho de Administração da Gazprom Neft, admitiu que as tecnologias digitais e a inteligência artificial são uma parte fundamental do negócio da empresa nos dias de hoje, já que o objectivo é controlar tecnologicamente todos os processos do negócio. 

«A transformação digital pode significar um aumento de 20 por cento do nosso lucro operacional a longo prazo através de uma maior eficiência, implementação mais rápida de projectos e de um melhor entendimento das necessidades dos nossos clientes», refere.

Ou seja, o recado da Gazprom é claro: quem não conseguir transformar tecnologicamente a sua produção, dificilmente conseguirá se manter no mercado nas próximas décadas. Diríamos mesmo que será impossível…

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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