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As alterações climáticas são hoje uma das principais preocupações dos bancos centrais, revela um estudo da Network for Greening the Financial System (NGFS). No entanto…

«Um desafio!». Esta foi a expressão escolhida para resumir a ameaça que as alterações climáticas representam nos nossos dias para a economia mundial, principalmente para os bancos centrais.

A NGFS procurou entender em que medida os bancos centrais estão preparados para considerar os riscos relacionados com as alterações climáticas nas suas operações de política monetária. Depois de inquirir 26 bancos centrais de 51 países, e rever os quadros institucionais e balanços de 107 bancos centrais, a conclusão é clara: «Um desafio!».

A informação revela como os problemas ambientais são transversais e hoje estão na mesa de várias instituições, inclusive as financeiras, que costumam actuar muito no presente e no futuro muito próximo.

O estudo salienta aliás isso mesmo, já que, apesar de admitirem que as alterações climáticas são uma ameaça para a economia, a verdade é que os bancos centrais não apresentam medidas específicas em suas estruturas operacionais para o seu combate (tanto a nível de protecção mas também de forma proactiva), apresentam apenas medidas relacionadas com o clima em termos gerais.

A maioria dos bancos centrais vê margem de ajuste dos seus respectivos quadros operacionais para que reflictam os riscos associados com as alterações climáticas», podemos ler no relatório.

Segundo os inquiridos, a coordenação e cooperação internacional é vista como a resposta ideal tendo em vista a integração dos riscos climáticos nas estruturas operacionais dos bancos centrais, nas suas operações de política monetária. Deste modo, defende a NGFS, «o fortalecimento dos esforços de divulgação será fundamental para a melhoria da disponibilidade dos dados ao longo do tempo», ainda mais quando muitos bancos solicitam entre eles mais partilha de conhecimento e diálogo. 

«Os bancos centrais consideram essencial uma troca intensa de experiências com o intuito de superar as prováveis dificuldades operacionais futuras», admite o relatório.

Um dos dados curiosos do mesmo é o principal argumento apresentado a favor da adopção das medidas proactivas, que mais não é do que o próprio ADN da maioria dos bancos centrais, ou seja, apoiar uma transição ordenada com o objectivo de garantir uma maior tranquilidade ao sistema monetário, idealmente uma transição suave no longo prazo.

Mitigação de riscos financeiros acarretará a necessária mudança

Todos os inquiridos acreditam que as mudanças climáticas afectarão a viabilidade das suas políticas monetárias em determinado momento, algo aliás já vivenciado por alguns dos bancos centrais visados, principalmente após a ocorrência de desastres naturais. No entanto, a verdade é que os mesmos ainda não se estão a mexer para tal.

O principal incentivo para os bancos centrais adoptarem medidas de protecção (muitas ou poucas) ao seu próprio sistema é a mitigação de riscos financeiros em seus balanços decorrentes da exposição ao clima.

Mas a falta de uma divulgação consistente relacionada aos problemas climáticos é um dos obstáculos apontados para a pouca proactividade dos bancos centrais, que reconhecem que a situação poderia ser melhor se as informações relevantes estivessem amplamente disponíveis. 

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Outro dado a reter é o temor dos bancos centrais em incluírem medidas proactivas que possam criar potenciais conflitos com o seu funcionamento e as suas estruturas operacionais, colocando em causa as metas monetárias e, principalmente, políticas. Por isso o anseio de mais informações e trocas de experiências entre todos, como referido acima, antes dos bancos centrais assumirem o papel da mudança, mesmo que necessária.

Em resumo: os bancos centrais reconhecem que as alterações climáticas representam um «desafio» para a economia mundial, têm essa consciencialização. No entanto, as acções concretas para a ocorrência da mudança estão ainda muito limitadas, o que demonstra uma visão prudente atribuível à complexidade do assunto, principalmente por não existir uma padronização de medidas a seguir.

Todavia, a ansiada padronização só poderá existir se tivermos bancos centrais que assumam novas soluções em termos operacionais. Enquanto este impasse continua a impedir a evolução do sistema monetário, as alterações climáticas prosseguem o seu caminho, um caminho que, mais cedo ou mais tarde, provocará profundas transformações nos bancos centrais e nos sistemas monetários e financeiros de cada país.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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