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Angola ocupa a 148.ª posição em 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas, «um índice composto que mede o desempenho médio em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, conhecimento e um padrão de vida decente». Este ano, a novidade do relatório foi a inclusão de variantes como as taxas de CO2, as emissões que causam o efeito estufa e a medição da pegada de carbono dos países ao lado de indicadores tradicionais como saúde e educação. 

O relatório, baseado em dados de 2019 (portanto, antes da Covid-19), coloca Angola próxima do limiar de «baixo desenvolvimento humano», um local que começa na posição 157 e onde podemos encontrar, por exemplo, Moçambique, no 181.º lugar.

Aliás, Moçambique é o pior país da Lusofonia:

  • Portugal: 38.º lugar
  • Brasil: 84.º lugar
  • Cabo Verde: 126.º lugar
  • Timor-Leste: 141.º lugar
  • São Tomé: 135.º lugar
  • Angola: 149.º lugar
  • Guiné-Bissau: 175.º lugar
  • Moçambique: 181.º lugar   

De notar que, entre Moçambique e o último colocado, temos os seguintes países: Burkina Faso, Serra Leoa, Mali, Burundi, Sudão do Sul, Chade, República Centro Africana e Níger. Aliás, dos 33 países que ocupam o denominado «baixo desenvolvimento humano», 30 são oriundos de África (as três excepções são Haiti, Afeganistão e Iémen).

De referir que Angola melhorou a sua posição em relação ao último relatório, concretamente dois lugares, alcançando uma subida no seu valor absoluto, de 0,570 do último relatório para o 0,581 do presente. O valor médio IDH da África Subsariana (46 países), e segundo o documento, é de 0,547.

No entanto, a Nações Unidas refere que as comparações de valores e classificações com os relatórios anteriores podem ser enganadores devido a revisões e atualizações dos dados, embora o relatório indique uma melhoria do índice geral, já que este cresceu, em média, a 1,44% ao ano entre 2010 e 2019, uma cadência que no entanto tem vindo a desacelerar nas últimas décadas: 

  • Entre 1990 e 2000: 3,07% 
  • Entre 2000 a 2010: 2,71%

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A esperança média de vida à nascença em Angola no Índice de Desenvolvimento Humano é de 64 (mulheres) e 58,4 (homens) anos, a média de escolaridade é de 4 (mulheres) e 6,4 (homens) anos e o rendimento nacional bruto per capita é de 5.205 (mulheres) e 7.022 (homens) dólares.

Noruega, Irlanda, Suíça, a Região Administrativa Especial de Hong Kong,  Islândia, Alemanha, Suécia, Austrália, Holanda e Dinamarca estão no topo do  Relatório de Desenvolvimento Humano 2020 com o título “A Próxima Fronteira: Desenvolvimento Humano e o Antropoceno”, com os melhores índices de desenvolvimento humano.

O olhar climático do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Índice de Desenvolvimento Humano

Este ano, salienta-se o olhar mais cuidado que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento teve com as questões ambientais, com o seu responsável, Achim Steiner, a salientar que «os seres humanos têm mais poder sobre o planeta do que nunca (…) É hora de usar factores como a pandemia e as temperaturas para redefinir o que se entende por progresso, onde as pegadas de carbono e o consumo não estão mais ocultos».

Achim Steiner defende que nenhum país do mundo, inclusive os que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano, alcançou um desenvolvimento humano muito alto sem ter de colocar uma imensa pressão sobre o planeta. Para o responsável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Nações Unidas, a geração mais nova talvez seja a primeira a corrigir esse erro. 

O relatório defende, aliás, que, à medida que as pessoas e o planeta entram numa época geológica totalmente nova, «o Antropoceno ou Idade dos Seres Humanos, é o momento de todos os países redesenharem os caminhos para o progresso». 

Ou seja, deve ser colocado em causa a pressão que os humanos colocam sobre a Terra, sendo para isso desmantelar de vez os desequilíbrios de poder e oportunidades que impedem uma mudança real de paradigma, que tarda em acontecer. 

O documento demonstra como o cenário de desenvolvimento global mudaria se o bem-estar das pessoas e do planeta fossem centrais na definição do progresso da humanidade», refere as Nações Unidas. «Trabalhar com e não contra a natureza enquanto se transformam normas sociais, valores e incentivos governamentais e financeiros.» 

Este novo documento ressalta que, e segundo projecções até 2100, os países mais pobres podem viver cerca de 100 dias a mais de clima extremo devido às mudanças climáticas a cada ano, algo realmente assustador e que merece uma reflexão por parte de todos. Ou seja, as sociedades disfuncionais estão a colocar as pessoas e o planeta em rota de colisão. 

«O relatório defende que são disparidades dentro e entre países, com raízes profundas no colonialismo e no racismo, que levam economias com mais poder a capturar os benefícios da natureza e a exportar os custos», podemos ler.

Para reflectir…  

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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