fbpx

A SSE Plc, empresa multinacional de energia, e a ASA vão construir o maior parque eólico do mundo em alto-mar, concretamente no Mar do Norte, que banha parte do Reino Unido. O seu nome de baptismo? Dogger Bank.

As negociações finalmente terminaram e os papéis assinados, o que faz do Dogger Bank uma realidade e mais uma amostra do que poderemos ter no futuro próximo. O parque eólico será construído ao longo da costa de Yorkshire e terá turbinas do tamanho de um arranha-céus. Os especialistas revelam que o Dogger Bank vai ser capaz de produzir energia suficiente para abastecer 5% da população do Reino Unido, ou seja, cerca de seis milhões de famílias, um número realmente bastante significativo.

No total, e segundo a Bloomberg apurou, serão investidos cerca de 6 mil milhões de libras só nas duas das três fases deste inovador projecto, que já emprega centenas de pessoas no Reino Unido e que ainda está na sua fase inicial (a expectativa é que empregue milhares nos próximos meses, directos e indirectos). O objectivo é que o Dogger Bank esteja concluído em 2026, mas que já produza energia em 2023. A previsão de vida do parque eólico Dogger Bank é de 25 anos, segundo os especialistas.

Parque Dogger Bank incluirá 400 turbinas eólicas na primeira fase

O complexo marítimo, que, numa primeira fase, incluirá 400 turbinas eólicas, distribuir-se-á por uma área superior a 1100 quilómetros quadrados, permitindo suprir cerca de 2,5% das necessidades energéticas do Reino Unido nas duas fases iniciais.

O parque eólico terá a particularidade de contar com as modernas turbinas eólicas Haliade-X de 13 MW, 190 no total (95 na primeira fase, mais 95 na segunda). De referir que uma rotação da Haliade-X gera electricidade suficiente para alimentar uma habitação do Reino Unido durante mais de dois dias. Cada uma das suas hélices tem 107 metros de comprimento. A Haliade-X é ainda um protótipo e, em Janeiro último, registou um recorde mundial ao ser a primeira turbina eólica a produzir 288 MWh num único dia.

O Governo do Reino Unido legislou a redução das emissões de carbono a zero para 2050. Os projectos de energia renovável a grande escala como o Dogger Bank asseguram a liderança da Grã-Bretanha como a nação eólica marinha. Depois, o projecto traz novos investimentos ao Reino Unido, num momento desafiante para todos, assegurando mais de 200 empregos na região, assim como novas oportunidades num sector em crescimento», afirmou o presidente da Renewable UK, Stephen Bull.

Europa olha com carinho para o parque eólico offshore

A aposta no parque eólico offshore parece ser uma tendência mundial. Recentemente, a União Europeia anunciou um investimento de 940 mil milhões de dólares no mar. O objectivo é diminuir a poluição marítima e lançar um plano de sustentabilidade tendo os oceanos como um dos focos estratégicos tendo em vista um futuro mais sustentável.

Já a Alemanha, através do seu Ministério de Assuntos Económicos e Energia, anunciou também há pouco tempo o objectivo de aumentar a geração de energia eólica fixado para 2030 de 15 para 20 GW. Em 2019, as energias renováveis corresponderam a cerca de 43% do consumo eléctrico alemão. Para 2030, o Governo aposta em 65% do consumo bruto de electricidade provenientes das energias renováveis.

Entretanto, e segundo a EIT InnoEnergy, o sector da energia eólica offshore flutuante poderá criar 50.000 postos de trabalho altamente qualificados (60% directos; 40% indirectos) em Portugal e Espanha até 2030.

LEIA TAMBÉM
A pandemia da Covid-19 retarda o crescimento da Energia Eólica

Este novo estudo, “A Península Ibérica como polo de desenvolvimento tecnológico e liderança industrial na área da energia eólica offshore flutuante”, defende que os dois países têm vantagens competitivas únicas, criando um enorme potencial para que a região se torne num hub global para a energia eólica offshore flutuante. Mas há mais: o volume de negócios poderá atingir ainda os 5.000 milhões de euros em 2030, com mais de um terço das receitas a serem provenientes de exportações…

Estes números apenas comprovam que as previsões dos especialistas do sector de energia mundiais sobre o sector são mais do que fundamentada, ou seja, de que haverá um rápido crescimento global da indústria da energia eólica offshore flutuante.

Como referiu Stephen Bull, os players que comandarem esta corrida terão enormes vantagens competitivas e a possibilidade de liderar o mercado. É o que está a fazer precisamente o Reino Unido, com o seu gigantesco e impressionante Dogger Bank.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

Deixe seu comentário