Ainda que a humanidade sempre tenha contado as suas vítimas de guerra em termos de mortos e feridos, infraestruturas destruídas e reviravoltas sociais e económicos, existe outra vítima esquecida: o meio ambiente, muitas vezes vítima silenciosa dos conflitos armados e das guerras.

Contaminação da terra, extinção de espécies de animais, destruição de florestas, poços de água poluídos… Estas são algumas das consequências obtidas em inúmeras ocasiões de forma intencional para ganhar uma vantagem militar, embora também ocorrem como resultado da má gestão de resíduos poluentes ou perigosos, como combustíveis e elementos de guerra.

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É igualmente importante destacar que os conflitos armados ocorreram em mais de 60% nos lugares de maior biodiversidade do nosso planeta. Quase metade desses conflitos estavam relacionados a recursos naturais de alto valor de mercado, tal como metais preciosos, petróleo, madeira e diamantes, e a outra parte com recursos escassos por motivos diversos, como a água e terras férteis. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) constatou que em regiões com grande oferta de recursos naturais há uma maior probabilidade de início ou reincidência de conflito armado.

O triste legado das guerras no ecossistema

A história do século XX tem demonstrado que permanecem por anos os efeitos das guerras, quer nas populações, quer no ecossistema. A título de exemplo destes efeitos perduráveis, e segundo os ambientalistas da South China Morning Post, «na Guerra do Vietname foi bem conhecida a utilização, pelo exército norte-americano, de bombas de napalm e de herbicidas, em particular do desfolhante agente laranja. Esta actuação deliberada causou uma forte desflorestação, a extinção de espécies animais, a contaminação de habitats e a proliferação de doenças irreversíveis por milhões de vietnamitas como malformações congénitas, cancro e síndromes neurológicos. Cinquenta anos depois, há ainda no Vietname locais onde a pesca em rios e lagos continua proibida e o agente laranja ainda chega aos humanos a partir de sedimentos de rios e lagos, acabando este por entrar na cadeia alimentar».

Contudo, nos dias de hoje, continuam a surgir novos protagonistas pseudo-ambientalistas que se apresentam como grandes defensores do ambiente mas, ao mesmo tempo, investem milhões e milhões de fundos na Defesa e Segurança, promovem a corrida armamentista e assinam protocolos nucleares milionários.

As prioridades estão invertidas.

O investimento na guerra tem grandes consequências para a humanidade e para a natureza. Por isso, existe uma grande importância em garantir que a protecção do meio ambiente faça parte das estratégias de prevenção de conflitos. Desde 2001 que a ONU designou o dia 6 de Novembro como o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente na Guerra e nos Conflitos Armados. Iniciativas como esta, de acordo com a mesma, «enfatizam a missão de conscientizar a população mundial, incluindo líderes e governos, sobre o impacto devastador das guerras no meio ambiente e na vida humana».

Devemos todos reflectir como podemos contribuir para este tipo de acções e campanhas para, no final, o meio ambiente não continuar a ser a vítima esquecida, mas sim uma prioridade.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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