A pandemia da Covid-19 atingiu a economia global no início deste ano e a era do petróleo poderá ter chegado ao seu fim, já que a procura caiu em mais de um quinto do valor total e os preços sofreram uma descida drástica. Desde então, houve uma recuperação instável e a indústria de combustíveis fósseis não tem estado bem, mas a verdade é que o retorno aos velhos tempos parece pouco provável.

Mesmo antes da pandemia da Covid-19 chegar, o crescimento da procura global do petróleo já tinha desacelerado. Com a Covid-19, houve ainda mais um agravamento, com o confinamento e o distanciamento social a destruir a indústria. A Agência Internacional de Energia divulgou recentemente projecções de rápido declínio a curto prazo da procura global das energias fósseis na ordem de 9% para o petróleo, 8% para o carvão e 5% para o gás. Números alarmantes para uma indústria que já dominou as nossas vidas, abastecendo os nossos carros, fornecendo electricidade para as nossas casas e até a ser encontrado no fertilizante para o solo em que os nossos alimentos crescem. O petróleo já tornou as nações extremamente ricas, mas agora a queda da procura está a colocar as economias de rastos. É verdade que já houve quedas no petróleo no passado, mas estamos a viver algo diferente.

Num passado muito próximo, o futuro da indústria petrolífera tinha se concentrado no pico de produção, com especialistas a preverem que os preços atingiriam níveis astronómicos à medida que o petróleo recuperável acabasse. Mas, nos últimos meses, o conceito mudou. Um novo conceito de um pico na procura tem dominado as previsões, suportado por factores como o declínio na procura por combustíveis em cerca de 25% para o sector de transporte e uma transição para fontes de energia mais limpas.

A energia renovável barata, políticas climáticas e o coronavírus estão a arrastar as empresas de combustíveis fósseis para um processo de “declínio terminal” que pode desencadear uma nova crise financeira, a menos que os reguladores actuem», refere a Reuters.

Qual o futuro da indústria do ouro negro?

Ainda existe uma grande distância entre o mundo de hoje e um mundo em que o sistema energético seja compatível com os objectivos globais de proteçcão do clima e acesso à energia e ar limpo. E não podemos ignorar o facto de que esta transição menos dependente no petróleo envolve grandes riscos. Uma transição súbita pode aumentar a instabilidade política e económica nos países cujas economias dependem fortemente das receitas do petróleo. Por outro lado, uma transição lenta pode ser ainda mais grave, com impactos graves para a saúde e o meio ambiente.

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Levará tempo para os combustíveis fósseis, que hoje ainda respondem por cerca de 85% da energia mundial, enfrentar a concorrência real de fontes de energia rivais. Mas a indústria petrolífera, com certeza, irá enfrentar sérios desafios financeiros. Com o declínio da procura por combustíveis fósseis, os investidores no sector mostram-se mais preocupados e pressionam para que os planos de investimento das grandes empresas petrolíferas estejam alinhados à expectativa de uma transição global rumo às energias limpas.

O ponto de viragem para a procura de petróleo pode ter chegado e as grandes petrolíferas devem tomar nota e agir de acordo, pois estamos a viver uma marcha inevitável em direcção a um futuro de fontes de energia mais sustentáveis.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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