Como acontece em todos os países, a Economia de Angola vive momentos de dúvidas em relação ao futuro (ainda mais em tempos de Covid-19), um momento que reflecte, por sinal, o passado recente. A verdade é que o país precisa encontrar vida além do petróleo.

Os números não mentem e eles demonstram que Angola tem cada vez mais dificuldades em equilibrar a balança entre as receitas e as despesas. Apesar da produção de petróleo no país ter registado um ligeiro aumento de 0,42% da quantidade prevista no mês de Agosto (uma média de mais de 1 milhão barris/dia), segundo a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG), Angola tem a necessidade de olhar com cuidado para outros números, já que a economia do país está em recessão consecutiva nos últimos quatro anos.

Para piorar, das receitas orçamentadas para o Orçamento Geral de Estado, 64% são provenientes dos impostos do sector petrolífero, precisamente numa altura em que há uma enorme incerteza nos mercados futuros sobre o preço do barril de petróleo, que atinge, muito frequentemente, mínimos históricos.

Deste modo, é necessário diversificar rapidamente a economia angolana, promovendo, por exemplo, as privatizações, mas também facilitar o crédito às pequenas e médias empresas para sectores específicos. Não deixar a economia se asfixiar. Há que olhar com extremo cuidado para o sector produtivo, sempre com o desígnio de expansão e modernização das empresas, o que, se tal acontecer, dinamizará a economia local, tanto a nível interno, como externo.

Para que isso aconteça, é necessário, por exemplo, uma maior aposta da banca comercial, que deve finalmente andar em comunhão com as políticas do Estado. Um dos passos a seguir, e segundo alguns economistas, é a banca não viver apenas dos lucros dos títulos do tesouro, como habitualmente acontece, e que pode ser um caminho novo a explorar.

Também devemos olhar com cuidado a revisão dos impostos, reduzi-los neste momento conturbado da humanidade, inclusive em Angola. A implementação do IVA, embora necessário para aumentar a arrecadação fiscal do Estado, talvez tenha de ser olhado agora de modo diferente, concretamente com a sua redução, pelo menos em tempos de pandemia e incerteza para o futuro.

Mas também outros impostos, que acabam por afectar em muito as empresas, incapazes de pagarem as suas tributações, o que acarreta em falências e, consequentemente, desemprego. Uma eventual redução de impostos pode aumentar o consumo interno, o que pode significar o tão desejado aumento de empregos.

O passado de Angola

Angola atravessa uma crise social e económica avassaladora e é hora de atacar de vez alguns dos cancros da nação e valorizar o respeito pelos direitos e liberdades fundamentais.

Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, defendeu o presidente de Angola na sua campanha, em 2017. E um desses males é precisamente a extrema dependência do país em relação aos ânimos dos mercados petrolíferos. É hora de olhar, portanto, para as alternativas, já que o tempo de “assentar” no poder já está mais do que vivido.

Neste momento, a inflação em Angola é galopante mês após mês e a cesta básica está a se tornar uma cesta de luxo para milhões de angolanos. Antes de olhar para fora, é essencial olhar para as necessidades dos de cá dentro, que, diariamente, lutam pela sua sobrevivência. Um povo que clama por soluções e novas políticas, se possível com novos tecnocratas que saibam conduzir o país a um horizonte jamais vivido e muito menos alcançado.

A pandemia veio apenas aumentar estes desequilíbrios sociais, dificultar ainda mais a vida do trabalhador angolano, que muitas vezes tem como simples objectivo terminar o seu dia de trabalho. Numa altura em que muitos governos parecem indecisos na volta ao confinamento, seja ele total ou parcial, Angola não pode cometer erros, já que, além de uma crise sanitária, aumentará ainda mais a sua já frágil economia. Como consequência, teremos o aumento trágico do desemprego, que, como a inflação, galopa diariamente no dia a dia dos angolanos.

Deve ser dada prioridade e mais atenção governamental aos sectores mais vulneráveis ao distanciamento social e ao colapso da procura global, sendo que estes serão os mais afetados pela pandemia, bem como a aqueles que têm uma grande dependência as cadeias de abastecimento transnacionais. A criação de um ambiente de negócios mais fluído para os investidores privados pode ser um outro caminho a considerar, melhorando a gestão da dívida pública.

Author

Nascida em Luanda no ano de 1988, licenciei-me em Gestão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Com uma sede insaciável de conhecer o mundo, já vivi em três continentes e sete cidades, capacitando-me assim a dominar várias culturas e quatro línguas: português, inglês, espanhol e francês. Estudiosa por natureza, em 2010 frequentei o Mestrado em Negócios na American Business School of Paris, tendo recebido, no ano seguinte, o diploma de Desenvolvimento de Negócios Internacionais, com a dissertação de mestrado “O Papel das Organizações Não Governamentais no Processo de Reconstrução Social Pós-Conflito em Angola”. Ao longo da minha carreira profissional, procurei sempre enriquecer o meu conhecimento. Embora o meu percurso académico tenha iniciado pela via económica, a minha carreira profissional percorre, desde sempre, no mundo das Energias Renováveis e Não-renováveis.

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